A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quarta-feira (3) que o mundo está “alcançando” o avanço do surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire), onde já foram confirmados 344 casos da doença e 60 mortes. A entidade reforçou, por outro lado, que os desafios importantes permanecem. “O surto teve uma grande vantagem inicial e ainda estamos atrás, mas, sob a liderança do governo da RDC, estamos alcançando essa defasagem”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma entrevista coletiva. Segundo a agência, o surto, associado à cepa Bundibugyo do vírus, espalhou-se para a vizinha Uganda, onde 15 casos foram confirmados, incluindo uma morte. O acesso aos testes também melhorou, razão pela qual centenas de casos inicialmente suspeitos de ebola acabaram sendo descartados, informou a OMS. Os testes mais comuns para a doença não detectam a cepa Bundibugyo, responsável pelo atual surto, o que provocou um acúmulo de exames pendentes. “O que a equipe em campo está fazendo é tentar eliminar esse atraso. O laboratório já realizou 1.445 testes, o que permitiu reduzir quase todo o acúmulo que tínhamos. E, à medida que a vigilância melhora, surgem diariamente novos casos suspeitos”, afirmou Abdirahman Mahamud, diretor de operações de alerta e resposta a emergências de saúde da OMS. Segundo ele, há 116 casos suspeitos aguardando testagem. Uma equipe também está analisando 220 mortes suspeitas para determinar a probabilidade de terem sido causadas pelo ebola. Seis pessoas se recuperaram da doença na RDC e duas em Uganda, demonstrando que pacientes com ebola podem sobreviver se tiverem acesso a atendimento médico e procurarem tratamento assim que os sintomas aparecerem, informou a agência. A resposta ao surto continua enfrentando dificuldades para ampliar a capacidade de testagem e rastreamento de contatos. Além disso, restrições generalizadas de viagem impostas por alguns países estão interrompendo cadeias de suprimentos e dificultando os esforços de combate à doença, segundo a OMS. Apenas cerca de 45% dos contatos identificados estão sendo monitorados. Para ficar à frente da propagação do surto, essa taxa precisa superar 90%, afirmou Tedros. O diretor-geral também disse que o surto pode ter começado já em janeiro e que as equipes ainda investigam essa possibilidade, mas ressaltou que o foco neste momento deve ser sua contenção. Segundo Chikwe Ihekweazu, chefe do programa de emergências da OMS, a contenção exigirá pelo menos US$ 115 milhões nos próximos três meses. Desse total, cerca de 35% já foram captados. Ele acrescentou que será necessário “muito mais” financiamento ao longo de toda a resposta à emergência. Um plano mais amplo de resposta e uma campanha de arrecadação de recursos serão lançados na sexta-feira em parceria com os Africa Centres for Disease Control and Prevention e os governos da República Democrática do Congo e de Uganda, informou Ihekweazu.
Casos de ebola na RDC chegam a 344, e OMS vê avanço na resposta ao surto
A entidade reforçou, por outro lado, que os desafios importantes de enfrentamento ao vírus permanecem













