O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu neste sábado que as comunidades no epicentro do mais recente surto de ebola no Congo desempenhem um papel fundamental no combate à doença. Tedros chegou na quinta-feira à República Democrática do Congo para coordenar a resposta ao surto de ebola, que, segundo as autoridades congolesas, já registrava 1.028 casos suspeitos até sexta-feira. "As comunidades entendem melhor os problemas e também conhecem as soluções", disse o dirigente da OMS a jornalistas após chegar a Bunia, capital da província de Ituri, um dos principais focos do surto de ebola. "Sim, a comunidade internacional está envolvida, sob a liderança do governo da RDC. Ao mesmo tempo, a apropriação pela comunidade é importante. É por isso que estamos aqui para conversar com a comunidade, para ver como está sendo conduzida a resposta e, se houver desafios, para ajudar", disse Tedros. Ao chegar à capital do Congo, Kinshasa, na quinta-feira, Tedros pediu mais apoio internacional para a resposta ao ebola, afirmando que a OMS havia recebido até então apenas um terço do financiamento necessário. A organização francesa Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou neste sábado que o mais recente surto de ebola – o 17º desde 1976 – estava se espalhando em um ritmo sem precedentes. "Nunca antes um surto de ebola registrou tantos casos tão pouco tempo após sua declaração", disse Alan Gonzalez, diretor adjunto de operações da MSF, em um comunicado. O número de organizações médicas especializadas que atuam no terreno para combater o surto, bem como o nível de apoio fornecido para combatê-lo, ainda está muito aquém do necessário, acrescentou Gonzalez. Tedros Adhanom Ghebreyesus (ao centro) — Foto: Moses Sawasawa/AP Photo