O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajou nesta quinta-feira (28) para a República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire), onde um surto de ebola, o terceiro maior já registrado, está avançando mais rapidamente do que a resposta internacional. Autoridades de saúde da RDC e de países vizinhos correm para tentar conter o mais recente surto da rara cepa Bundibugyo, para a qual não existe vacina nem tratamento. A resposta, que depende da identificação e isolamento de casos potenciais para controlar a propagação da doença, está semanas — talvez meses — atrasada, e a OMS declarou emergência de saúde pública de interesse internacional. “16 vezes, este país derrotou o ebola. A 17ª não será diferente. Mas precisamos agir agora, juntos”, escreveu Tedros no X. Funcionários do UNICEF e trabalhadores do aeroporto carregam caminhões com ajuda da Operação de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia (ECHO) para o surto de Ebola causado pela cepa Bundibugyo, no Aeroporto Nacional de Bunia, em Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo, em 28 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere Ampliação dos testes Tedros deve chegar a Kinshasa nesta quinta-feira e depois seguirá para a província de Ituri, no nordeste da RDC, onde os primeiros casos de ebola foram registrados e onde o vírus circula há semanas. Além de enfrentar escassez de suprimentos, médicos na região também lidam com ataques contra instalações de saúde provocados pela negação da doença por parte de alguns grupos na República Democrática do Congo. Há 1.077 casos suspeitos, dos quais 121 foram confirmados, segundo os dados mais recentes da OMS, que também apontam 246 mortes suspeitas por ebola e 17 mortes confirmadas. Especialistas em saúde alertam que o número real de casos e mortes provavelmente é muito maior. A OMS informou nesta quinta-feira que está ampliando os testes no país em parceria com a organização nacional de pesquisa médica do país. A Monusco, missão de paz da ONU na RDC, afirmou ter enviado pouco menos de cinco toneladas de carga médica para Ituri nesta quinta-feira, no mais recente de uma série de voos para entrega de suprimentos. No entanto, três autoridades humanitárias envolvidas na resposta ao ebola na RDC disseram que as restrições contínuas a voos de entrada e saída de Bunia, capital da província de Ituri, estão dificultando as operações. Uma das autoridades afirmou que, apesar da promessa de conceder exceções pontuais para trabalhadores humanitários, o Ministério dos Transportes não está processando as autorizações. O governo congolês não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as restrições aéreas. Medidas de contenção Na tentativa de conter a propagação da doença, países ao redor do mundo adotaram medidas relacionadas a viagens. Os Estados Unidos proibiram temporariamente a entrada de residentes permanentes (“green card holders”) que tenham estado na RDC, Uganda ou Sudão do Sul nos 21 dias anteriores. O governo americano, que afirmou que “não pode e não permitirá” a entrada de casos de ebola no país, espera que o Quênia aceite sediar uma instalação para quarentena de cidadãos americanos expostos à doença. Não estava claro nesta quinta-feira se o Quênia concordará com o pedido. O leste da República Democrática do Congo está tomado por grupos armados, o que complica ainda mais a resposta à epidemia, inclusive nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, parcialmente controladas pelos rebeldes do M23 apoiados por Ruanda. Tedros pediu um cessar-fogo na região para permitir o controle do surto de ebola, afirmando que os combates em andamento estão provocando deslocamentos em massa e espalhando a doença em campos superlotados. Um fiel muçulmano chega para participar das orações que marcam o feriado muçulmano de Eid al-Adha, enquanto as autoridades intensificam os esforços para conter um novo surto de Ebola causado pela cepa do vírus Bundibugyo, na Mesquita Central da cidade de Bunia, província de Ituri, República Democrática do Congo, em 27 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere