O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu nesta quarta-feira (27) um cessar-fogo no leste da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire) para conter um surto de ebola, dizendo que os combates em andamento estão provocando deslocamentos em massa e disseminando a doença em campos superlotados de refugiados. A cepa Bundibugyo do ebola, para a qual não há vacina ou tratamento aprovado, foi declarada uma emergência de preocupação internacional pela OMS, neste mês, e os casos estão aumentando drasticamente. "O leste da RDC enfrenta, agora, uma colisão catastrófica de doenças e conflitos, com o surto de ebola na província de Ituri ultrapassando a expectativa", disse o diretor-geral da OMS, que deve viajar para a região nesta semana. "Não podemos contar com a confiança da comunidade ou isolar os doentes, enquanto as bombas estão caindo. Pedimos a todas as partes em conflito que concordem com um cessar-fogo imediato para conter esse surto", afirmou ele no X. Até o momento, foram registrados mais de 900 casos suspeitos e mais de 200 mortes suspeitas em três províncias do leste da RDC, incluindo a província de Kivu do Norte, controlada pelos rebeldes M23, apoiados por Ruanda, e a província de Kivu do Sul, controlada pelo grupo rebelde Alliance Fleuve Congo. A guerra na República Democrática do Congo ― que já dura mais de duas décadas e foi intensificada em 2022 ― acontece no leste do país e envolve dezenas de grupos rebeldes e disputas geopolíticas, principalmente com Ruanda. O motivo principal do conflito é o controle da exploração de minérios valiosos, como ouro e cobalto. O grupo de ajuda Save the Children disse, nesta quarta-feira, que um quarto das mortes confirmadas são de crianças, pedindo um reforço nas medidas de prevenção a infecções. Os combates continuam no leste da RDC, apesar dos esforços de mediação liderados pelos Estados Unidos, e milhões de pessoas foram deslocadas. A agência de refugiados da ONU afirmou que os locais de trânsito e recepção na região do Nilo Ocidental, em Uganda, que faz fronteira com a RDC, estão com mais do que o dobro da capacidade, segundo um documento. Os grupos de ajuda humanitária estão enviando equipes e equipamentos para o leste da RDC, mas os ataques a médicos devido à desconfiança da comunidade têm dificultado os esforços. Até o momento, os doadores prometeram cerca de US$ 500 milhões para ajudar com o surto, mas nem tudo foi desembolsado, de acordo com as autoridades de saúde locais. Trabalhadores da Cruz Vermelha, usando equipamentos de proteção individual (EPI), desinfetam a casa de pessoa que morreu de ebola, na província de Ituri, República Democrática do Congo — Foto: REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere
OMS pede cessar-fogo no Congo para conter ebola em meio ao aumento de casos
Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, os combates no leste da República Democrática do Congo estão provocando deslocamentos em massa e disseminando a doença em campos superlotados















