O senador Flávio Bolsonaro passou os últimos dias em um esforço concentrado para limpar sua imagem. As primeiras reações, tanto no mundo empresarial quanto entre os eleitores, à sua complacência diante da nova investida dos Estados Unidos contra o Brasil, anunciadas dias depois da visita do filho 01 do capitão à Casa Branca, foram bem ruins para as suas pretensões em outubro. Em dois dias, com base em argumentos absolutamente questionáveis, Washington anunciou duas investigações que podem levar à imposição de sobretaxas de até 37,5% sobre as exportações nacionais. Para piorar o ambiente, o secretário de Estado, Marco Rubio, decidiu incluir o País entre os “inimigos”, ou “não amigos” do Grande Irmão do Norte. O presidente Lula não desperdiçou a oportunidade de definir a situação. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para um país estrangeiro se intrometer nas decisões brasileiras”, afirmou durante um evento na goiana Catalão. “É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”
A possibilidade de uma dupla sobretaxa, uma de 25%, por conta de acusações pouco plausíveis, entre elas um falso aumento do desmatamento e o suposto caráter anticoncorrencial do Pix, o sistema de transações administrado pelo Banco Central, e outra de 12,5%, pelo fato de o Brasil utilizar mão de obra em situação análoga à escravidão, afetará a balança de exportações, mas pior, segundo especialistas, seria ceder à chantagem. “A questão das tarifas é importante e deve ser debatida e negociada, mas a discussão estratégica em torno do Pix, das terras-raras, da operação de regulação das big techs e do etanol está no centro dos interesses dos EUA e é ainda mais relevante. Certas concessões não devem ser feitas, sobretudo nessas áreas. A natureza do problema é política”, afirma Ricardo Carneiro, professor do Instituto de Economia da Unicamp.











