O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) desembarcou em Washington com a difícil missão de produzir um fato político que sirva como vacina contra o tarifaço de Donald Trump e impeça que ele continue contaminando sua campanha ao Planalto. A argumentação apresentada pelo senador ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA), porém, corre o risco de produzir o efeito oposto.

Tanto nas declarações feitas nesta terça-feira (7) quanto nos comentários escritos encaminhados na última quinta (2), Flávio reforçou justamente os aspectos políticos das sobretaxas e da investigação comercial aberta contra o Brasil no ano passado.

Em documento protocolado no USTR, o presidenciável disse que o próprio Trump justificou as medidas pelo tratamento dispensado a Jair Bolsonaro no processo judicial por tentativa de golpe de Estado —classificado pelo americano de "vergonha internacional" e "caça às bruxas".

Já no testemunho ao USTR, o pré-candidato disse que o objetivo do tarifaço era "pressionar" o governo Lula e que os resultados pretendidos pelos Estados Unidos não foram alcançados. "Em vez disso, elas [tarifas] foram politicamente exploradas pelo atual governo brasileiro; o governo que essas medidas buscavam pressionar saiu fortalecido", declarou.