Pré-candidato à presidência não citou que o grupo ligado a Jair Bolsonaro sofreu prejuízos políticos e foi associado ao tarifaço de Trump, após Eduardo Bolsonaro articular pela imposição desta sanção ao Brasil O pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a pedir aos Estados Unidos (EUA) a suspensão da imposição de tarifas ao Brasil, sugerida pela conclusão das investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301 e defende que esse mecanismo de punição "fortalece politicamente" o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O envio do documento ao governo americano pelo senador bolsonarista aconteceu ontem, mesmo dia em que o Executivo federal respondeu aos EUA, questionando o tarifaço. "Os Estados Unidos já têm instrumentos consolidados para punir violações deste tipo, sem taxar uma sociedade ou a economia dela — sanções financeiras e restrições para obter vistos a integrantes do governo [do Brasil] e suas famílias, muitas das quais já estão em vigor contra autoridades brasileiras. Ele [Flávio Bolsonaro] não pede que qualquer uma dessas sanções seja utilizada — esse é uma decisão soberana que só pode ser tomada pelos Estados Unidos — mas elas atingem os culpados [de acordo com a investigação], enquanto uma tarifa de 25% sobre o Brasil afeta todo mundo menos os infratores, punindo tanto a sociedade brasileira quanto a economia americana e, não só deixando intocados os infratores, mas fortalecendo-os politicamente", argumenta Flávio no material enviado ao USTR. Ao longo de cerca de 19 páginas e diversos anexos, a comunicação do senador argumenta que o tarifaço só beneficia politicamente Lula meses antes da realização de eleições majoritárias no Brasil, uma vez que afeta toda a sociedade brasileira. Embora peça a suspensão da aplicação do tarifaço, Flávio deixa claro que não está pedindo para o USTR suspender a investigação com base na Seção 301 e, sim, para adiar a implementação da conclusão dela até a realização das eleições no final do ano e estabelecer canais de negociação bilateral entre os dois países. “Os Estados Unidos têm um interesse bem consolidado de não realizar intervenções econômicas contra uma democracia estrangeira nas semanas que antecedem uma disputada eleição majoritária, na qual essa ação pode ser vista — independentemente do mérito jurídico dela — como uma tentativa de influenciar o resultado, inflamando um sentimento contra os Estados Unidos sem qualquer ganho diplomático. Deixar essa implementação [das tarifas] para depois das eleições exclui essa possível caracterização da ação”, argumenta o senador. Seguindo essa lógica, o pré-candidato afirma que as tarifas aplicadas pelos EUA aos produtos brasileiros no ano passado falharam em seus objetivos. Segundo o senador, estes propósitos eram a mudança do teor das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Não interromperam a prática de nenhuma das condutas que os americanos questionam e, por fim, fortaleceram o atual presidente da República. Para reforçar este argumento, o documento apresenta pesquisas eleitorais do ano passado que mostram o fortalecimento eleitoral de Lula diante de opositores bolsonaristas. Flávio deixa de fora desta argumentação, entretanto, que o grupo político ligado a Jair Bolsonaro sofreu prejuízos políticos e foi associado ao tarifaço imposto por Donald Trump aos produtos brasileiros uma vez que um dos filhos do ex-presidente, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, e o influenciador Paulo Figueiredo articularam pela imposição desta sanção ao Brasil. Em junho, Eduardo foi condenado pela Primeira Turma do STF a 4 anos e 2 meses de reclusão por tentar interferir no processo da trama golpista negociando sanções à economia e a autoridades brasileiras. O senador também diz que a visita que ele fez ao presidente Donald Trump, no final de maio, foi utilizada pelos aliados do petista como "evidência de que a oposição teria pedido para Washington tarifar o Brasil, tornando as possíveis tarifas americanas prejuízo eleitoral para o parceiro de negociação mais plausível e racional dos EUA e em ganho político para o governo, alvo da investigação". Flávio reproduz ainda um dos argumentos também usados pelo governo brasileiro para suspender as tarifas: a de que os EUA são os principais prejudicados por essa medida, já que ele tem superávit comercial em relação ao Brasil. Em relação ao Pix, um dos principais mecanismos questionados pelos EUA na investigação da Seção 301, o documento de Flávio afirma que o sistema instantâneo de pagamentos não compete com as empresas americanas de pagamentos e cartões de crédito. O envio da comunicação aos EUA acontece cerca de uma semana após Trump repostar um artigo que define as eleições brasileiras como o "próximo grande teste" para a influência do presidente americano na América Latina. Isso acendeu um alerta no governo Lula, o qual teme que Trump possa tentar interferir nas eleições brasileiras. Pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Em carta ao USTR, Flávio Bolsonaro pede que EUA não aplique tarifas até as eleições, para não beneficiar Lula
Pré-candidato à presidência não citou que o grupo ligado a Jair Bolsonaro sofreu prejuízos políticos e foi associado ao tarifaço de Trump, após Eduardo Bolsonaro articular pela imposição desta sanção ao Brasil














