O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou o anúncio dos Estados Unidos sobre a aplicação de tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras à visita do senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, à Casa Branca, na semana passada. Leia mais: Segundo Lula, Flávio teria procurado interlocutores nos Estados Unidos após a reunião com o presidente Donald Trump. O presidente brasileiro afirmou que a visita e o anúncio da taxação ocorreram em sequência e sugeriu existir relação entre os dois fatos. As declarações foram feitas durante evento em Catalão (GO). Lula também criticou Flávio por declarar que não teria solicitado medidas contra o Brasil. “Pior espécie de ser humano que esse país produziu. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente tem com essa ‘família metralha’”, disse. Mais cedo, em entrevista à rádio Itatiaia, Flávio afirmou que pediu diretamente a Trump que as empresas brasileiras não fossem alvo das tarifas. Ele também disse que ameaça ao Pix "é mentira" e acusou Lula de fazer "terrorismo" na "cabeça dos brasileiros". Lula também lembrou que, no ano passado, após os Estados Unidos anunciarem tarifas sobre produtos brasileiros, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo, comemoraram a decisão. “O que fizeram os meninos do Bolsonaro? Um deles, que é candidato à Presidência, escreveu no dia 9 de julho: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo’”, afirmou Lula. Minerais críticos e terras raras Lula também disse, no evento desta manhã, que os minerais críticos e as terras raras serão tratados como ativos estratégicos para a soberania nacional. “Vamos tomar conta dos nossos minerais”, declarou. Segundo o presidente, o governo não permitirá que as terras raras brasileiras sejam exploradas e levadas para o exterior sem gerar benefícios para o país. Segundo ele, o objetivo é evitar que esses recursos tenham o mesmo fim de riquezas minerais extraídas no passado, como o ouro. Lula também lembrou que, durante sua visita ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em maio, apresentou um documento sobre as reservas brasileiras de minerais críticos. No entanto, ressaltou que a intenção do governo é estimular o processamento e a industrialização desses recursos no Brasil, para que gerem valor agregado, empregos e desenvolvimento econômico no país. Ao comentar o combate ao crime organizado, Lula afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar o problema e disse que, caso o governo dos Estados Unidos queira colaborar, "os policiais brasileiros estão preparados para realizar prisões". Na semana passada, os EUA anunciaram que vão classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas globais. Novo tarifaço O governo americano concluiu segunda-feira (1) investigação que acusa o Brasil de práticas que "oneram ou restringem" o comércio dos EUA e propôs aplicar tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Há exceção para mercadorias que se enquadram como "sujeitas às tarifas de segurança nacional" - dentre elas, carne, frutas, café, aeronaves e terras raras. A investigação concluída agora pelos EUA foi aberta em 15 de julho de 2025, após determinação do presidente Donald Trump. O governo americano acusa o Brasil de práticas que "oneram ou restringem" o comércio dos EUA, como o Pix, desmatamento ilegal, lentidão no exame de atentes, falhas no combate à pirataria e problemas na aplicação de leis anticorrupção. Antes de aplicar as sanções, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas. O prazo limite para a definição e aplicação das medidas contra o Brasil foi fixado em 15 de julho de 2026.