Ao escolher o avanço da inteligência artificial como tema central de sua primeira encíclica, o papa Leão 14, eleito há um ano, posicionou a Igreja Católica em um dos debates mais importantes deste século. Para ele, a digitalização, a IA e a robótica são as grandes questões dos nossos tempos, e precisam ser discutidas à luz do "paradigma tecnocrático": reconhecer os avanços tecnológicos sem perder a essência humana.

O texto provocou diversas análises na última quinzena, mas essa não foi a primeira vez que o sumo pontífice abordou tal tema. Em novembro, no congresso "A Dignidade das Crianças e dos Adolescentes na Era da Inteligência Artificial", no Vaticano, ele já havia discursado por uma "educação digital ética" voltada especificamente à proteção e à segurança das crianças e dos adolescentes.

A encíclica, por agora, aprofunda essa discussão em diversas frentes, mas sem desprezar a centralidade da educação nesse processo. Mesmo sendo um documento voltado essencialmente aos fiéis, ele transcende o âmbito do catolicismo por seu teor crítico e racional ao clamar por uma "aliança educativa para a era digital".

Ainda que não utilize explicitamente o termo educação midiática, o texto de Leão 14 reconhece, em diversos momentos, a relevância dela no contexto contemporâneo em que estamos inseridos, mesmo que o tempo de desenvolvimento de competências e habilidades seja bem mais lento que o das mudanças tecnológicas.