Mensagem direcionada à militância diz que 'missão do dia' é defender mecanismo de pagamento, definido como 'paixão nacional' 115132162_02062026 - Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva durante Anúncio à imprensa so — Foto: Foto: Ricardo Stuckert / PR RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 13:30 Pix vira símbolo de resistência a tarifas dos EUA em WhatsApp de Lula Em grupo de WhatsApp de Lula, mensagem responsabiliza Flávio Bolsonaro pelas críticas dos EUA ao Pix, sugerindo que ele cria polêmicas ao externar tarifas sobre mercadorias brasileiras. O sistema de pagamento, exaltado como "paixão nacional", virou bandeira de defesa contra o "tarifaço" proposto pelos EUA, provocando reações nas redes sociais, com hashtags como "Tariflávio" e "o pix é nosso". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O grupo oficial de WhatsApp do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou publicação que culpa o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelas críticas do governo dos Estados Unidos ao Pix. Ao sugerir a imposição de novas tarifas ao Brasil, nesta terça-feira, o mecanismo de pagamentos foi incluído entre as práticas comerciais citadas pelos americanos como "irracionais". O tema passou a ser utilizado pela esquerda e por perfis governistas nas redes sociais como forma de rebater a ofensiva americana, que ocorre a quatro meses das eleições presidenciais brasileiras. No conteúdo mais recente divulgado no WhatsApp, em grupo divulgado no site oficial do presidente Lula, uma mensagem direcionada para a militância afirma que "a missão de hoje" é defender o Pix, definido como "uma conquista que facilita a vida de milhões de brasileiros". A publicação faz alusão à uma charada: "O que é o que é: gratuito e fácil de usar, paixão nacional, bom para pequenos empreendedores, incluiu milhões de brasileiros no sistema e financeiro e o Flávio Bolsonaro quer entregar para o Trump?". "Enquanto Flávio Bolsonaro cria polêmicas lá fora, o povo segue usando o Pix todos os dias", completa a mensagem. Em grupo de WhatsApp oficial de Lula, post defende Pix e diz que 'Flávio Bolsonaro cria polêmicas lá fora' — Foto: Reprodução/Redes sociais 'O Pix é do Brasil' No primeiro discurso após o anúncio da possibilidade de um novo tarifaço, Lula apareceu com um cartaz escrito "o pix é do Brasil". De acordo com os Estados Unidos, o sistema financeiro cria "vantagens competitivas" em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. — De forma intempestiva, anunciaram o aumento da taxação das coisas brasileiras para 25%. Com base numa mentira. A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito a chamadas empresas de cartão de crédito deles — disse Lula, nesta terça-feira, durante agenda em Goiás. Hoje, conforme mostrou o colunista Lauro Jardim, a campanha de Flávio Bolsonaro reagiu e defendeu a paternidade do sistema de pagamento. Os opisicionistas começaram a usar o slogan "o Pix é do Brasil e do Bolsonaro", em alusão ao fato de que foi no governo passado que o BC instituiu o Pix. Flávio inclusive fez uma aparição pública em Belo Horizonte, nesta quarta-feira, com um cartaz que exibe a mensagem. A proposta da taxação de 25% foi consequência da investigação feita pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e ainda precisa de uma decisão definitiva do presidente Donald Trump para entrar em vigor. Nesta quarta-feira, outra tarifa que pode chegar a 12,5% também foi sugerida para ser aplicada a dezenas de países, incluindo o Brasil. 'Tariflávio' Como mostrou o GLOBO, governistas repetiram o discurso adotado pelo Planalto e associaram Flávio à proposta dos EUA de aplicar 25% das tarifas sobre as mercadorias nacionais, enquanto o parlamentar nega que tem sido responsável pela mudança. No X, políticos e perfis de esquerda levaram aos primeiros lugares dos trending topics hashtags como "o pix é nosso", criado no ano passado depois do anúncio do início das investigações do governo americano sobre as transferências feitas no Brasil e replicado por uma postagem do PT nesta terça-feira. Outra expressão usada foi "Tariflávio", mencionada em publicações feitas pelo vice-líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e o secretário de comunicação do partido, Éden Valadares. Além disso, parlamentares e apoiadores também replicaram a frase "Bolsonaros inimigos do Brasil". "O PIX é nosso, veio para ficar e vamos defender essa conquista para o povo brasileiro", publicou a ex-ministra das Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), também chamando os bolsonaristas de "traidores da pátria, do povo brasileiro". Flávio muda discurso Ao reagir à nova proposta dos Estados Unidos, Flávio adotou uma estratégia diferente da utilizada durante a crise comercial de 2025. Se no ano passado suas manifestações associavam as sanções americanas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista, agora o presidenciável tem concentrado seus ataques em Lula, além de buscar reforçar o discurso ligado à soberania nacional e à defesa das empresas brasileiras. A mudança ocorre em meio à avaliação de aliados de que a crise diplomática do ano passado acabou fortalecendo Lula politicamente ao permitir que o petista se apresentasse como principal defensor da soberania nacional diante das pressões americanas. Em uma das publicações feita à época, em 11 de julho de 2025, o senador chegou a divulgar um vídeo em que tratava o tarifaço como “taxa Alexandre de Moraes”. Em outra, pediu a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. “Obrigado presidente Donald Trump. Faça o Brasil Livre Novamente. Queremos Magnitsky”, escreveu em 9 de julho às vésperas da aplicação de fato da sanção ao ministro do Supremo, no final do mesmo mês. Já desta vez, Flávio afirmou que pediu diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump para que não impusesse tarifas sobre as empresas brasileiras. Ele também enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, defendendo a não adoção das medidas e passou a argumentar que um eventual governo seu em 2027 teria condições de negociar “de igual para igual”.