O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a reunião ministerial nesta quarta-feira (3) para reafirmar a defesa do Pix como resposta à nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos, e principalmente, como arma eleitoral. Durante o encontro, o presidente reclamou das falhas de fiscalização do preço dos combustíveis e ouviu queixas da articulação política sobre o risco de pautas-bomba no Congresso. Lula ainda cobrou pressa dos ministros, porque o prazo para anunciar entregas do governo acaba em 3 de julho. Durante as mais de quatro horas de reunião, a imagem fixada no telão dava o recado: "O Pix é do Brasil". A mensagem era ocultada pelas exposições dos ministros, mas reaparecia nos intervalos das falas e se manteve fixada na tela até o fim do encontro. Na terça-feira (2), durante evento em Catalão, Lula também exibiu um cartaz justamente com a frase "O Pix é do Brasil". O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o impacto do conflito no Oriente Médio na economia, com a alta do preço dos combustíveis, e a relação com o Congresso foram debatidos no encontro, segundo relatos de alguns dos participantes ao Valor. O vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e os ministros da Fazenda, Dario Durigan, do Planejamento, Bruno Moretti, e da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, apresentaram resultados de suas pastas. Alckmin falou, em parte, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Márcio Elias Rosa, que está na França, participando da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC). Como ex-titular da pasta, durante sua exposição, Alckmin criticou as novas taxas aplicadas pelos Estados Unidos, e reforçou a defesa do Pix. Quando o ministro Bruno Moretti relatou as ações para conter a alta dos combustíveis, em razão da guerra entre Estados Unidos e Irã, Lula subiu o tom para reclamar das falhas de fiscalização, que não viabilizam o controle dos preços, apesar das medidas do governo nessa direção. O presidente aproveitou o encontro para cobrar pressa de seus auxiliares, alertando que tem somente um mês para concluir as principais entregas de seu terceiro mandato, em tempo de divulgá-las na campanha eleitoral. Isso porque a partir de 4 de julho, começa o chamado período de "defeso eleitoral", segundo o qual, durante os 90 dias que antecedem o pleito, Lula não poderá entregar obras ou divulgar ações do governo para fins de propaganda eleitoral, e ficará sujeito a restrições da lei eleitoral.