O senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) disse em entrevista nesta manhã que o Pix não tem "absolutamente nada a ver com isso tudo" e não está ameaçado pelo governo de Donald Trump. Apesar da fala, o sistema de pagamento instantâneo foi citado pelos EUA dentre as práticas brasileiras que prejudicam o comércio americano no documento em que propõem aplicar tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras. Leia mais: "É mentira que o Pix está ameaçado. Não tem absolutamente nada a ver o meio de pagamento com isso tudo. O Pix é brasileiro, foi feito pelo [ex] presidente [Jair] Bolsonaro. O Pix não é taxado porque o presidente Bolsonaro assim determinou que não fosse, é algo que revolucionou na segurança, então isso não está à discussão", afirmou para a rádio Itatiaia. O Pix foi, de fato, lançado pelo Banco Central durante o governo de Jair Bolsonaro. Mas a criação do sistema de pagamento é anterior. Os estudos começaram em 2018, sob a gestão de Michel Temer (MDB) - à época, a autoridade monetária era comandada pelo economista Ilan Goldfajn. Na entrevista desta manhã, Flávio acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de fazer "terrorismo" em relação ao Pix. "É um terrorismo que o Lula cria ou tenta criar na cabeça de brasileiros que não existe. É igual dizer que o Trump vai vir aqui no Brasil, vai invadir o Brasil e vai explodir a Baía da Guanabara, vai fazer e vai acontecer com operações militares". Organizações criminosas Flávio afirmou ainda que o presidente Donald Trump já havia classificado como organizações terroristas facções em outros países, como Colômbia, El Salvador e México, e não houve invasão. Na semana passada, dois dias após o encontro de Flávio e Trump, na Casa Branca, o governo americano informou ter enquadrado o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que foi explorado eleitoralmente pelo presidenciável do PL. "Aqui também nós temos declarado como terroristas essas organizações para dar um tratamento diferenciado, são punições mais pesadas, presídios especiais, isolamento dessas lideranças. É asfixia financeira dessas organizações terroristas, tudo o que o Brasil não está fazendo e precisa em algum momento começar a fazer", afirmou. O senador disse que tratou com Trump, no encontro, sobre o tema da taxação dos produtos brasileiros. "Eu fui lá, obviamente, pedir, como todos sabem, que essas facções Comando Vermelho e PCC fossem declaradas terroristas que é o que elas são. Nós precisamos da ajuda não apenas nos Estados Unidos mas de outros países na América Latina, de Israel", disse. Pedido para 'não taxar' empresas brasileiras Flávio também firmou ter pedido "expressamente" nas três reuniões que teve com o presidente Donald Trump para não taxar as empresas brasileiras. "É um pedido que eu fiz expresso porque eu digo o seguinte, a partir de 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual, porque o nosso agro alimenta o mundo, não é justo taxar as nossas empresas", afirmou. Ele acrescentou que os Estados Unidos e a China são os maiores parceiros comerciais do Brasil e o governo não pode escolher a China e abrir mão dos Estados Unidos. "Um presidente da República sério que pensa no seu país tem que se atar com os Estados Unidos, tem que se atar com a China, tem que negociar com todo mundo", disse.
Flávio diz que ameaça ao Pix é 'mentira' e acusa Lula de fazer 'terrorismo'
Governo dos EUA citou o meio de pagamento dentre as práticas brasileiras que prejudicam o seu comércio










