EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas: a aposta de Flávio na Casa BrancaNo “Estadão Analisa” desta quinta-feira, 28, Carlos Andreazza fala sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e da estratégia de sua visi. Crédito: Carlos AndreazzaGerando resumoBRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 1°, que a decisão dos EUA de classificar as facções criminosas como terroristas pode afetar o Pix e bancos brasileiros, bastando uma alegação de que há contas dessas organizações criminosas nessas instituições financeiras. Ele concedeu entrevista ao Jornal da Manhã, da CBN.PUBLICIDADE“As várias polícias do mundo que hoje se cooperam para enfrentar o terrorismo não estão acostumadas com esse tipo de designação. Então, com o ato em si, ele gera essa dúvida. As instituições estão agora mexendo nas suas regras de compliance”, afirmou.Durigan negou que o governo brasileiro esteja causando “terrorismo” na população sobre possíveis impactos dessa designação no Pix brasileiro e afirmou ser lamentável que tal movimentação ocorra perto do período eleitoral.O ministro da Fazenda, Dario Durigan Foto: Wilton Junior/Estadão“A gente precisa proteger o nosso País e a soberania; o patriotismo tem que aparecer quando mais importa. O que é lamentável é ter que chegar de novo perto das eleições gerais — como aconteceu em 2022 — e quem não tem compromisso com a democracia, com a higidez eleitoral, começar a gerar medo, começar a gerar preocupação na população. O que nós vamos fazer é alertar para os riscos que podem aparecer, porque esses riscos existem”, afirmou.PublicidadeLeia tambémÉ inaceitável receber intimidação perto das eleições, diz Durigan sobre ameaças de tarifas dos EUAIR: Receita pagou R$ 16 bi em restituição antes mesmo do fim do prazo de entrega da declaraçãoDurigan: Fux pediu saída ao BRB ‘o quanto antes’ pois a autoridade do Judiciário estaria em questãoEle disse que não recebeu nenhum fundamento da gestão de Donald Trump sobre essa nova designação e reforçou que existe risco aos bancos brasileiros e ao Pix porque “medidas extravagantes geram riscos extravagantes”.“Basta você ter uma alegação, uma visita da família Bolsonaro, uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. Aí a autoridade norte-americana pode dizer o seguinte: ‘Então esse banco está apenado, está sancionado pelo Tesouro Norte-Americano’”, completou.O ministro alertou, inclusive, que a sanção poderia vir contra um banco que tenha ligação com o governo, como os estatais. Nesse caso, se alguém tentasse fazer movimentações para esse banco apenado, como um Pix, seria impedido.O ministro afirmou que não conversou com autoridades norte-americanas na semana passada, mas que pretende negociar sobre o tema nessa semana. Ele lembrou que o governo brasileiro procurou cooperação com os EUA contra o crime organizado.PublicidadePor fim, Durigan criticou a gestão do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo ele, à época, as fintechs puderam atuar sem a fiscalização do BC e isso teria aberto o caminho para que o crime entrasse no sistema financeiro.“O que aconteceu na gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto é que foi aberta uma possibilidade de não regulação de fintechs, que ficaram autorizadas a operar no Brasil, mas não sob a supervisão do Banco Central até 2029. Isso criou um espaço um pouco anárquico para o crime organizado entrar no sistema financeiro”, afirmou.