Em sua segunda reunião ministerial do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não pode aceitar o tratamento dado pelos Estados Unidos ao Brasil, após o anúncio da recomendação de novas tarifas contra produtos brasileiros. Nesta quarta-feira, o governo americano sugeriu taxar em 12,5% o Brasil após uma investigação sobre trabalho forçado. A ação veio um dia depois de o governo americano ter concluído uma investigação comercial contra o Brasil e proposto a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte significativa das importações de mercadorias brasileiras. "Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos", disse Lula aos ministros. O presidente afirmou que tomou conhecimento da primeira rodada de tarifas, anunciada em julho de 2025, por meio das redes sociais e voltou a sustentar que a medida foi baseada em “inverdades”. Lula reiterou ainda que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação bilateral com o Brasil. "Se alguém tivesse que fazer uma taxação seria o Brasil contra os Estados Unidos, e não os Estados Unidos contra o Brasil", afirmou. Lula destacou que, para resolver a questão no passado, não fez bravatas, mas tentou construir meios para mostrar o que classificou de "insensatez" da punição ao Brasil. Na abertura da reunião, o presidente também afirmou que o Brasil vive um momento de "disputa de ideias" e avaliou que há um paradoxo na política brasileira e internacional. "Estamos vivendo um paradoxo na política brasileira, talvez no mundo, porque poucas vezes na história, o país conseguiu ter coisas tão positivas a seu favor, como temos agora", disse. Para Lula, este é um momento decisivo para que a sociedade brasileira e a comunidade internacional reconheçam a importância do fortalecimento da democracia e do multilateralismo. O presidente acrescentou que o Brasil não pode ser tratado como uma "republiqueta insignificante". — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil O presidente afirmou o governo brasileiro busca fortalecer a relação institucional com os EUA, apesar das divergências recentes entre os dois países. Entretanto, afirmou que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, não gosta da América Latina e do Brasil. Ele qualificou o auxiliar do presidente Donald Trump como um "latino-americano frustrado". “Esse Marco Rubio não gosta da América Latina, muito menos do Brasil. Ele é um latino-americano frustrado. Não sei ele nasceu em Cuba. Parece que ele é filho de pessoas que nasceram em Cuba”, disse durante a reunião ministerial. Lula defendeu que o Senado Federal responda às declarações feitas por Rubio no Congresso americano no dia anterior. O secretário de Estado afirmou que a América Latina está "cheia de aliados" dos EUA, com exceção de Cuba, Venezuela, Nicarágua, Brasil e do governo colombiano. Ao comentar as falas de Rubio, Lula mencionou o golpe militar de 1964 e afirmou que o episódio contou com articulação de embaixadores americanos no Brasil. “Ele [Rubio] não sabe que nós sabemos. Que antes dessa jogada deles, esse país foi vítima de golpe em 1964. E naquele tempo foi articulado por embaixadores americanos no Brasil”, declarou. “É importante que eles saibam que nós conhecemos a história”, completou.