O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira 10 que o Brasil não pode aceitar as tarifas que os Estados Unidos ameaçam impor sobre produtos nacionais por uma questão de “dignidade” e respeito aos trabalhadores brasileiros. A declaração foi proferida durante a 7ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Ao comentar as medidas anunciadas pelo governo de Donald Trump, Lula pediu a elaboração de um estudo sobre as condições de trabalho nos Estados Unidos e questionou os critérios utilizados por Washington para justificar as sobretaxas.

“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do que ganha um trabalhador americano”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Nós não temos o direito de aceitar, por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui para os trabalhadores brasileiros”.

O presidente também cobrou uma comparação entre as legislações trabalhistas dos dois países. “Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para vir um tal de diretor impor multa na gente”.

Lula aproveitou o discurso para rebater críticas relacionadas à política ambiental brasileira e contestar cobranças internacionais sobre o desmatamento. Sem citar diretamente as autoridades americanas, questionou a postura dos EUA em relação à preservação ambiental.