O que fazer diante do novo duplo tarifaço imposto pelo presidente Trump ao Brasil?PUBLICIDADEOs primeiros 25% incidem sobre produtos brasileiros sob alegação de práticas comerciais desleais, e os outros 12,5% sobre produtos cuja composição contenha itens obtidos com trabalho forçado.Logo se viu que essa ampliação do tarifaço é a mesma política anunciada em abril do ano passado, condenada pela Suprema Corte porque baseada sobre legislação inadequada. Agora, o governo Trump se apega ao que unilateralmente considera práticas ilegais dos exportadores, entre os quais os do Brasil, sob outro fundamento jurídico, o da chamada Seção 301, desempenhada pelo Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).Governo Trump acabará por recorrer a qualquer outra alegação para alcançar objetivo comercial Foto: Jacquelyn Martin/AP PhotoA primeira reação do governo brasileiro foi de compreensível indignação e de condenação ao que se considera forte protecionismo do governo dos Estados Unidos. Além disso, a nota oficial fala em responder com tratamento recíproco.A questão não é de lógica comercial. É de geopolítica. O governo Trump decidiu proteger os produtores dos Estados Unidos, como tentativa para restituir competitividade à indústria norte-americana, não importando aí questões de Direito. Não gostou? Recorra à Justiça... E espere pela sentença.PublicidadeÉ claro, o governo brasileiro tem de usar os canais diplomáticos para negociar e tentar preservar os interesses do País. Mas não dá para esperar grande sucesso nessa iniciativa. O puro e simples revide não é a resposta adequada. Na condição de lobo contra o cordeiro, o governo Trump acabará por apegar-se a qualquer outra alegação para obter o mesmo objetivo ou para aumentar o abocamento comercial.A política será submetida a consulta pública. Não dá para contar com a virada a partir desse procedimento. Seu objetivo é avaliar até que ponto as empresas de lá sairão prejudicadas pelo encarecimento do produto sobretaxado.Diante do inevitável, a postura correta será a de tratar de reduzir a dependência comercial do mercado dos Estados Unidos. Isso implica não só ampliar o esforço de exportação para outros países, mas, sobretudo, tratar de negociar novos acordos de comércio, por meio do Mercosul.O presidente Lula reclama do protecionismo do governo Trump. É o roto reclamando do rasgado. A política de desenvolvimento do governo brasileiro – e não só a do presidente – mantém o sistema produtivo brasileiro entre os mais fechados do mundo. O próprio Lula insiste em reforçar mecanismos de defesa das montadoras e garante perdões ou tratamentos fiscais favorecidos, entre os quais o Refis, para quem deixa de pagar impostos. Não deixa de ser paradoxal que o presidente Lula, crítico histórico da abertura comercial, agora assume posições que têm mais a ver com o regime de livre comércio.
Opinião | Lula reage a tarifas, enquanto o Brasil mantém o sistema produtivo entre os mais fechados do mundo
O presidente brasileiro reclama do protecionismo do governo Trump; é o roto reclamando do rasgado: insiste, por exemplo, em reforçar mecanismos de defesa das montadoras








