Trump usa tarifas como pressão sobre seus parceiros; como o Brasil pode lidar com isso?O colunista Marcos Jank observa que o País precisa melhorar as relações, 'machucadas', para buscar ampliar a lista de exceções, enquanto diversifica mercados. Crédito: Edição: Ariel LiborioO governo brasileiro, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou consultas aos EUA na OMC devido a tarifas impostas ao Brasil. As tarifas, de 25% e 12,5%, totalizando 37,5%, foram aplicadas por práticas comerciais consideradas desleais, como o uso do Pix, e por falhas no combate ao trabalho forçado. O Brasil alega que as medidas violam o GATT 1994 e as normas da OMC. A ação foi comunicada pelo Ministério das Relações Exteriores em 27 de julho de 2026.BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta segunda-feira, 27, um pedido de consultas aos Estados Unidos no âmbito do sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa do tarifaço imposto pelo Trump ao Paísa. A decisão foi comunicada em nota pelo Ministério das Relações Exteriores.PUBLICIDADEO pedido refere-se às duas medidas tarifárias adotadas pelos EUA na semana passada sob a Seção 301 da sua Lei de Comércio de 1974. A primeira, resultante de investigação específica sobre o Brasil, impôs tarifa adicional de 25% ao País. Ela examinou atos, políticas e práticas brasileiras relacionados a comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos - incluindo o Pix -, tarifas preferenciais, aplicação da legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. PublicidadeGoverno Lula vai à OMC contra tarifaço de Trump: ‘Medidas incompatíveis’ Foto: Wilton Junior/EstadãoA segunda medida resulta de uma investigação que abrangeu 60 economias e impôs tarifa adicional de 12,5% ao Brasil. Nesse caso, foram examinadas a existência e a aplicação de proibições à importação de bens produzidos, total ou parcialmente, com trabalho forçado. Somadas, as tarifas chegam a 37,5% para uma série de produtos exportados aos americanos (leia mais abaixo).“O Brasil considera que as medidas norte-americanas são injustificadas e incompatíveis com obrigações dos EUA no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e do Entendimento Relativo às Normas e Procedimentos sobre Solução de Controvérsias da OMC”, diz o Itamaraty em nota.Leia tambémSaiba quais são os municípios brasileiros mais afetados pelo novo tarifaço de TrumpO governo já havia anunciado que acionaria a OMC, que encontra-se enfraquecida. Além disso, é estudado o uso da Lei da Reciprocidade - o que não significa, necessariamente, que alguma medida será adotada nesse sentido neste momento. Integrantes da diplomacia ouvidas pelo Estadão/Broadcast afirmaram que o posicionamento foi necessário para que ficasse claro o descontentamento com a medida.PublicidadeA partir de agora, será traçado caminho cuidadoso para identificar formas de aplicação da Lei de Reciprocidade sem que haja riscos para o mercado interno. Além disso, como mostrou o Estadão, o governo Lula quer segurar medidas de reciprocidade até as eleições para não dar palanque ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principal desafiante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O impacto das tarifas nas exportações brasileirasO Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou na semana passada que as duas novas medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos vão alcançar 23,1% das exportações do Brasil para o mercado americano.Desse total, 16,5% serão afetadas simultaneamente pelas duas medidas e, portanto, vão ficar sujeitas à uma sobretaxa acumulada de 37,5%. Será o caso de produtos como máquinas e equipamentos; vários tipos de madeira; gorduras e óleos; calçados; móveis; e confecções. Já 1,9% será atingido apenas pela tarifa de 25% (Seção 301 relativa ao Brasil), abrangendo, entre outros produtos, o açúcar.PublicidadePor fim, 4,7% da pauta brasileira de exportações será alcançada exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% (Seção 301 para 60 maiores parceiros comerciais), incluindo, por exemplo, obras de pedra, gesso e matérias semelhantes; minérios; óleos essenciais e produtos de perfumaria; e pescados.
Governo Lula aciona OMC contra tarifaço de Trump: ‘Medidas são injustificadas e incompatíveis’
EUA anunciaram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e, depois, nova sobretaxa de 12,5%










