Em relatório sobre nova investigação, governo americano argumenta que suposto desrespeito a normas trabalhistas no Brasil teria permitindo ao país vender carne mais barata para Pequim Gado em uma fazenda em Paulínia, no estado de São Paulo — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 11:14 EUA Acusam Brasil de Trabalho Forçado e Propõem Taxas à China Os EUA acusam o Brasil de usar trabalho forçado na produção de carne bovina, utilizando isso como justificativa para taxar importações chinesas. Um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) aponta que o Brasil teria vendido carne mais barata à China devido a violações trabalhistas, prejudicando assim o comércio americano. As exportações brasileiras para a China cresceram significativamente, enquanto a participação dos EUA no mercado chinês caiu. O USTR recomenda taxar produtos de países que não coíbem trabalho forçado. A decisão final será debatida em audiência. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A investigação aberta pelos EUA sobre uso de trabalho forçado aponta não apenas supostas falhas do governo brasileiro em impedir a importação de mercadorias fabricadas com violação a leis trabalhistas, como também a acusação de uso de trabalho forçado em atividades econômicas brasileiras cujos produtos são exportados para outras nações, o que restringiria o comércio americano. Neste segundo caso, o foco é a carne bovina congelada exportada do Brasil para a China. Os EUA usam o suposto trabalho forçado na criação de gado no país para justificar a punição aos chineses. Argumentam que o desrespeito a normas trabalhistas no Brasil teria permitindo ao país vender carne mais barata para Pequim. Como retaliação, a recomendação é que produtos chineses importados pelos EUA sejam taxados em 12,5%. Quem está à frente da investigação é o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que divulgou relatório nesta quarta-feira com suas conclusões. Há um espaço do relatório dedicado a estudos de caso, que têm por objetivo mostrar como o trabalho forçado usado por concorrentes dos EUA afeta produtores e empresas americanas. De acordo com o relatório, o uso de trabalho forçado na criação de gado no Brasil "é amplamente documentado". Salto de exportações para a China Os dados citados mostram que, entre 2015 e 2025, as exportações de carne congelada brasileira para as economias investigadas quase dobrou em volume, enquanto o crescimento da carne americana para essas nações foi de apenas 21%. Especificamente para a China, as exportações brasileiras saltaram 17 vezes no período, de 94 mil toneladas para 1,6 milhão de toneladas, segundo o documento. Isso fez a fatia do produto brasileiro nas importações de carne chinesas subir de 38% em 2021 para 53% em 2025. Já a participação da carne americana nas compras chinesas caiu de 6% (2021) para 2% (2025). Os investigadores citam ainda que a China importou a carne congelada do Brasil por valor 41% inferior ao importado dos EUA em 2025. EUA reconhecem fatores na perda de mercado Apesar das acusações contra o Brasil, o USTR reconhece que nem toda carne importada da China teria usado trabalho forçado e que há outros fatores que podem ter levado à redução das vendas de carne americana para os chineses. "Embora nem todas as importações chinesas de carne bovina congelada provenientes do Brasil tenham sido necessariamente produzidas com trabalho forçado, a prevalência do trabalho forçado na produção de carne bovina no Brasil sugere fortemente que pelo menos parte dessas importações foi produzida, total ou parcialmente, com o uso de trabalho forçado", diz o relatório. "A falha da China em impor e aplicar de forma efetiva uma proibição à importação de produtos produzidos com trabalho forçado no caso da carne bovina congelada brasileira conferiu uma vantagem de custo à carne bovina do Brasil e distorceu a concorrência", continua o USTR. "Embora outros fatores, como o tamanho do rebanho bovino dos Estados Unidos, também possam ter influenciado a competição entre a carne bovina americana e a brasileira, o relatório sustenta que a ausência de uma proibição às importações associadas ao trabalho forçado favoreceu os exportadores brasileiros". O relatório conclui que, em um cenário com fiscalização mais rigorosa, os Estados Unidos provavelmente teriam registrado maiores vendas, receitas e exportações de carne bovina para a China. Essa leva de investigação do USTR não se restringe ao Brasil. São 60 países na mira, todos acusados de importar produtos que usam trabalho forçado. Há a recomendação de taxação de 10% ou 12,5% sobre as mercadoreas dessas nações, uma vez que seus governos teriam falhado em coibir a importação dos produtos. O Brasi está no grupo de 12,5%. Uma decisão definitiva sobre essa nova onda de tarifas ainda será tomada. Uma audiência está marcada para o dia 7 de julho. Há outros estudos de caso citados no relatório, como o de tabaco produzido em Malawi e o arroz cultivado em Myanmar. Em ambas as situações, o documento compara a exportação desses países com as exportações do mesmo produto pelos EUA e diz que falhas para fiscalizar importação de tabaco e arroz que usam suposto trabalho forçado em Malawi e Myanmar prejudicaram produtores americanos.