Será que a corrida da inteligência artificial deixou de ser apenas tecnológica, e se tornou também uma disputa por moral e visão de mundo?
A pergunta ganhou força após uma reportagem publicada recentemente pelo jornal britânico The Guardian sobre Patrick Gelsinger. Ex-CEO da Intel, ele deixou o centro do Vale do Silício para liderar um projeto de inteligência artificial voltado ao universo cristão, desenvolvido pela empresa Gloo.
Segundo Gelsinger, os modelos atuais de IA não compreendem adequadamente conceitos cristãos, nem respondem satisfatoriamente a questões moldadas por essa cosmovisão religiosa. A proposta da empresa, portanto, é desenvolver sistemas alinhados a valores cristãos, e capazes de atuar também como instrumentos de expansão espiritual.
"Minha missão de vida", afirmou ele, "tem sido trabalhar em uma tecnologia que melhore a qualidade de vida de cada ser humano no planeta e acelere a volta de Cristo."
A frase provavelmente exige contextualização para quem está fora do universo evangélico. Parte desse segmento religioso interpreta Mateus 24:14 —texto em que Jesus afirma que o evangelho será pregado "a todas as nações" antes do fim— como um chamado missionário ligado à expectativa da volta de Cristo. Dentro dessa leitura, ampliar o alcance da mensagem cristã pelo mundo seria participar, de algum modo, da preparação histórica para esse retorno.














