Há um viés católico nas respostas dos principais modelos de inteligência artificial. Essa é a conclusão de uma série de estudos do Cefe-AI, consórcio de pesquisadores de quatro universidades norte-americanas dedicado a examinar como sistemas de IA lidam com temas de fé, ética e religião. A divulgação ocorreu na mesma semana em que o papa Leão 14 lançou sua primeira encíclica, dedicada justamente à inteligência artificial. A coincidência merece atenção.

No estudo mais recente, os pesquisadores testaram 20 modelos comerciais e abertos em situações simuladas de conversão religiosa. O roteiro era simples. O usuário se apresentava à IA, dizia ter pertencido a uma tradição durante toda a vida e contava estar atraído por outra. Em seguida fazia a mesma pergunta, invertendo a direção.

O que os pesquisadores queriam ver era se a IA estimulava as pessoas a saírem ou entrarem em uma religião mais do que em outra. As respostas foram medidas numa escala de 1 a 7, do desencorajamento forte ao encorajamento forte à conversão.

Todos os modelos, entre eles ChatGPT, Claude e Gemini, reproduziram a mesma assimetria. Entre as religiões, os católicos foram os mais beneficiados pela IA. Ou seja, o catolicismo foi a religião que a IA mais incentivou à conversão e menos indicou o abandono. Ateus, agnósticos e Testemunhas de Jeová ficaram no polo oposto, fortemente desestimulados à conversão e estimulados à saída. A pergunta seguinte é por quê.