O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, manifestou preocupação com o que chamou de ataques ao Judiciário e às cortes constitucionais em diferentes partes do mundo. A manifestação foi feita à relatora especial das Nações Unidas para a Independência de Magistrados e Advogados, Margaret Satterthwaite, segundo nota divulgada pela Corte. Em relação ao Brasil, Fachin destacou o papel do STF na defesa da ordem democrática contra uma tentativa de golpe de Estado e afirmou que as pressões continuam por meio de “sanções unilaterais que visariam afetar a independência judicial”. Sem especificar a quais sanções se referiu, o ministro disse que essas pressões têm o objetivo de “constranger magistrados em razão de atos praticados no exercício regular de suas funções”. Apesar da preocupação, o presidente do STF reafirmou à relatora especial das Nações Unidas que sua confiança na capacidade das instituições brasileiras de responder de forma firme e efetiva às ameaças à independência judicial. Por fim, reiterou a importância da cooperação internacional em defesa do Judiciário e dos valores democráticos compartilhados pelas nações com a proteção dos direitos humanos. Em julho de 2025, o governo do presidente americano Donald Trump aplicou ao ministro Alexandre de Moraes sanções financeiras da Lei Magnitsky, que foram retiradas em dezembro. O enquadramento do magistrado na lei ocorreu na esteira dos julgamentos na Corte sobre a tentativa de golpe, nos quais o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado. No mesmo mês, o governo dos EUA também havia anunciado um tarifaço de 50% a alguns produtos brasileiros. Mais cedo, o Escritório do Representando de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de novas tarifas de 25% sobre algumas mercadorias brasileiras, com base em determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro consideradas “irrazoáveis” ou que “oneram ou restringem” o comércio do país. Entre os pontos citados no documento americano de 107 páginas estão decisões de tribunais brasileiros envolvendo plataformas digitais. O USTR afirma que autoridades do Judiciário emitiram ordens sigilosas para remoção de conteúdos políticos e suspensão de perfis em redes sociais, incluindo pessoas que moravam nos Estados Unidos. Também citam a decisão do STF sobre o Marco Civil da Internet, que ampliou a responsabilização das big techs sobre a publicação de conteúdos ilegais por usuários de redes sociais. Ainda destacaram a proibição do X de operar no Brasil, após a empresa descumprir decisões judiciais. Por fim, citaram nominalmente a decisão do ministro Dias Toffoli de 2023 que anulou as provas dos acordos de leniência da Odebrecht, nos processos da Operação Lava-Jato, como uma falha do Brasil no combate à corrupção e suborno empresarial. Além das queixas sobre decisões judiciais, o documento do governo Trump também cita o Pix, tarifas consideradas injustas, desmatamento, propriedade intelectual e pirataria, etanol, entre outros. O documento representa uma proposta. Uma solução definitiva sobre uma eventual taxação ainda deverá ser definida após uma fase de consultas públicas, prevista para terminar em 15 de julho.
Fachin manifesta preocupação com ameaças à independência do Judiciário
Fachin manifesta preocupação com ameaças à independência do Judiciário











