O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, defendeu na terça-feira (2) que juízes sejam discretos e afirmou que "muitas vezes o silêncio institucional vale mais que o protagonismo individual", em meio a um impasse sobre a criação de um código de conduta para integrantes da corte.

"Nem toda visibilidade fortalece instituições. A autoridade do magistrado não nasce da frequência de suas manifestações, nasce da qualidade de suas decisões", disse. "Serenidade e discrição, prudência e comedimento são virtudes que produzem confiança. Cada juiz e juíza deve ser empreendedor da confiança", declarou.

Fachin falou durante um congresso do STJ (Superior Tribunal de Justiça) em Brasília que discute ética judicial, em uma espécie de contraponto ao Fórum de Lisboa, o "Gilmarpalooza". Segundo apurou a Folha, o caso do Banco Master e o código de ética fizeram autoridades repensarem a ida ao evento capitaneado por Gilmar Mendes. O decano do STF nega haver um esvaziamento do fórum.

Segundo Fachin, os magistrados não são observados apenas quando julgam, mas também quando, por exemplo, decidem falar ou escolhem se silenciar. Por isso, o presidente do STF afirmou que cada manifestação pública de juízes afeta a percepção coletiva sobre o Judiciário.