Em novo esforço para tentar desvincular o bolsonarismo da tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira (2), esperar que o presidente Donald Trump "não puna" os brasileiros com a sobretaxa. Uma das linhas do bolsonarismo, nas primeiras reações, é culpar o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e negar que exista relação entre o episódio e a visita do presidenciável Flávio Bolsonaro à Casa Branca. "Conversamos bastante com o presidente Donald Trump, tenho certeza que o presidente não irá punir o povo brasileiro pelos crimes do regime de exceção no Brasil", escreveu Eduardo no X, nesta terça-feira (2), ao compartilhar a publicação de Trump com fotos do encontro da semana passada, do qual também participou, e agradecer a ele pela "recepção fantástica". "Nossa luta é contra as facções terroristas e os tiranos, não contra empresas e o povo inocente", completou o ex-parlamentar. Seu irmão Flávio disse, em vídeo, que "essa tarifa é do Lula" e que vai enviar uma carta ao governo americano pedindo para não taxar as empresas brasileiras. Mais cedo, o senador já havia declarado que, na reunião, fez um apelo contra a aplicação de novas tarifas. Eduardo chamou de "narrativa falsa" a afirmação de que o governo americano aplicou novas tarifas. O aliado Paulo Figueiredo disse, também no X, que houve apenas a sugestão da taxa. O blogueiro afirmou que "ainda há várias etapas técnicas a serem seguidas" e que o presidente americano "tem poder total para não impor tarifa alguma". "Só depois a coisa vai para a avaliação do grupo político para decisão final de Trump", escreveu. "Testemunhei Flávio Bolsonaro dizer abertamente a todas as autoridades americanas que não há necessidade de tarifas ao Brasil pois ele será eleito presidente em outubro e faremos um enorme acordo comercial e de investimento bom para os dois países. A receptividade foi total", acrescentou Figueiredo. Eduardo afirmou, mais cedo, que não pediu ao governo Trump a sobretaxa, mas, sim, a adoção de sanções individuais contra autoridades brasileiras, inclusive o retorno da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. "Eu sempre pedi sanções individuais, e não ache que a gente passou pela Casa Branca sem falar do Alexandre de Moraes, pedindo o retorno da Lei Magnitsky. Sempre que eu tenho a oportunidade, eu peço para a Magnitsky retornar”, disse, em entrevista ao portal Rede Comunica Brasil. A Lei Magnitsky foi aplicada contra Moraes em julho de 2025 e contra sua esposa, Viviane Barci de Moraes, em setembro. Em dezembro de 2025, porém, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos retirou ambos da lista de sanções. Enquanto vigorou a medida, Moraes e Viviane ficaram impedidos de viajar aos EUA e de realizar transações econômicas com empresas americanas. A legislação prevê punições financeiras contra estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos. Na mesma entrevista, Eduardo afirmou que solicitou ao governo americano que aguardasse o resultado das eleições brasileiras antes de avançar em medidas comerciais mais amplas. Segundo ele, um eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro poderia negociar um acordo benéfico para os dois países. “Nós pedimos ao governo americano que aguardasse as eleições, porque seria muito melhor sentar com o presidente Flávio Bolsonaro para negociar um acordo comercial com os americanos que beneficie ambos os países, em vez de aplicar uma tarifa”, afirmou o ex-deputado. Eduardo também avaliou que era previsível que a investigação comercial conduzida pelos EUA chegasse à etapa de discussão de possíveis sanções. Segundo ele, o processo identificou supostos prejuízos a empresas americanas que atuam no Brasil e agora depende de uma decisão política de Trump. “Os culpados por essa tarifa são Lula e Alexandre de Moraes, não Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos denunciando todos esses abusos que estão ocorrendo no Brasil”, declarou.
Eduardo Bolsonaro diz esperar que Trump 'não puna' brasileiros com nova tarifa
Ex-deputado diz que não pediu ao governo Trump a sobretaxa, mas, sim, a adoção de sanções individuais contra autoridades, inclusive a volta da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes










