Como o próprio nome diz, "Copan" é um documentário sobre o Edifício Copan, que completou seis décadas neste mês. Mas isso traz à diretora, de imediato, um enorme problema —por onde apanhar esse edifício? O momento da construção, a importância urbana na São Paulo das décadas de 1950 e 1960, quando ela era "a cidade que mais cresce no mundo"?

Ou seria a solução explorar de que forma ele persiste como um cartão-postal da cidade tantas décadas depois e apesar de terem construído um edifício horrível bem na sua frente? Ou o que restou do projeto de Niemeyer, um prédio onde convivessem diferentes classes sociais? E que fosse um centro comercial que antecipava, de certa forma, as superquadras brasilienses, ou, ainda, os altos e baixos de sua história?

Tudo isso esteve, certamente, nas preocupações da diretora Carine Wallauer. Sabendo que a história do Copan era necessariamente mais ampla do que as possibilidades do filme, ela priorizou alguns aspectos. O ponto de partida foi construir um Copan que evitasse entrevistas habituais com os moradores do local.

Já no início, somos jogados diante da figura principal do Copan —seu síndico, em pleno trabalho. É alguém que chamam até de subprefeito, aquele que comanda uma estrutura enorme e complexa de funcionários e atividades. Um homem estressado, que precisa falar por telefone com um condômino que acusa o vizinho de tê-lo xingado. Ele sugere qualquer coisa e desabafa: "Preciso agora ensinar as pessoas a terem educação?"