Um empreendimento na Zona Sul de São Paulo, com fachada ativa e de frente para o Rio Pinheiros, lançado em 2007, oferecia apartamentos por R$ 7,5 mil o metro quadrado. Na época, o projeto destacava-se pela localização fora dos padrões tradicionais e pela proposta de uso misto. Quase 20 anos depois, o mesmo produto tem fila de interessados em revendas de unidades, e as negociações chegam a R$ 75 mil o metro quadrado — dez vezes acima do valor original. O projeto em questão é o Parque Cidade Jardim, da JHSF: nove torres residenciais sobre um shopping center de luxo, formando um complexo que se tornou referência de alto padrão na capital paulista. Um exemplo que revela como a captura de valor no tempo transformou imóveis únicos do mercado em ativos financeiros de alta rentabilidade. Na avaliação de Marcello Romero, CEO da Bossa Nova Sotheby’s, este tipo de propriedade ganhou um posicionamento mais estratégico na carteira patrimonial dos clientes. “Esse perfil de comprador tem um olhar mais avançado sobre o ‘real estate’ e passou a considerar o imóvel de luxo não apenas como a residência da família, mas também como investimento e instrumento de preservação do patrimônio”, explica. Com localização estratégica, o Groenlândia 77 está 100% vendido: preço do metro quadrado saltou de R$ 28 mil para R$ 45 mil — Foto: LINDENBERG/DIVULGAÇÃO Segundo Romero, esse critério vem ganhando cada vez mais peso na decisão de compra do público de alta renda, que, além da localização, da infraestrutura e da assinatura do arquiteto, quer entender o potencial de valorização e a facilidade de revenda do imóvel no futuro. Outros casos semelhantes de valorização, em que os apartamentos se tornaram ativos valiosos, lembra ele, são a Torre Mata Atlântica, no Complexo Cidade Matarazzo, e o Parque Global, também na Zona Sul da cidade. “O Faena São Paulo também deve repetir essa performance, em razão da proximidade com a Avenida Faria Lima e o caráter único do produto. A tendência é de ganho de preço extraordinário”, aposta. Parque Cidade Jardim: torres residenciais sobre um shopping center de luxo tiveram valorização expressiva em 20 anos — Foto: HSF/DIVULGAÇÃO Bairro Planejado O Parque Global, da Benx Incorporadora, registrou uma valorização próxima de 300% sobre o valor do metro quadrado de lançamento, em 2020. “Naquele ano, custava R$ 11 mil. Agora, temos as últimas unidades sendo vendidas a R$ 30 mil o metro quadrado”, afirma André De Marchi, diretor do Parque Global. O empreendimento funciona como um bairro planejado: tem cinco torres residenciais, centro de inovação, saúde e educação, com entrega prevista para 2027, e um shopping center que vai entrar em operação no início de 2029.Para De Marchi, é um empreendimento raro e irreplicável. “Não existirá outro igual na Zona Sul de São Paulo, seja pela dimensão do projeto, pela localização ou pela proposta de uso. Os compradores enxergam ali um ativo financeiro de ganho real, que ainda não está no seu patamar máximo de valorização, o que explica o baixo nível de revendas”, avalia o diretor. Outro projeto da companhia, o Autór Jardins, lançado em dezembro passado, também tem tido desempenho acima da média: em seis meses, cerca de 50% das 70 unidades foram vendidas, e o valor do metro quadrado saltou de R$ 32 mil para cerca de R$ 50 mil, conforme projeções internas. “Neste caso, o segredo foi ter criado um produto para atender ao morador do bairro, que buscava um prédio mais moderno, mas sem abrir mão de plantas generosas”, explica Renato Bottoni, diretor de Novos Negócios e Comercial da Benx. nos Jardins, edifício Autór terá vista a 145 metros de altura e plantas mais generosas do que a média do bairro — Foto: FOTOS DE BENX INCORPORADORA/DIVULGAÇÃO Os apartamentos do Autór têm entre 188 e 263 metros quadrados, todos com três suítes amplas e um espaço extra de 18 metros quadrados, que pode ser usado como escritório ou ateliê. A dificuldade de se reproduzir algo semelhante também foi o principal atrativo do Lindenberg Groenlândia 77, residencial com 30 apartamentos exclusivos, no Jardim Europa. "O condomínio fica exatamente na junção dos três bairros mais valorizados de São Paulo: Jardins, Itaim e Vila Nova Conceição. Além disso, formar terreno na Avenida Groenlândia para projetos desse porte é algo muito difícil”, afirma Adolpho Lindenberg Filho, CEO da Lindenberg. As unidades de 240 a 772 metros quadrados foram lançadas a R$ 28 mil cada um, em 2021. Na entrega, em 2024, foram negociados a R$ 45 mil. “O empreendimento está 100% vendido, com muita gente que ainda nos procura buscando por alguma revenda”, conta o CEO. Segundo o empresário, a percepção crescente dos imóveis de alto padrão como ativos de investimento trouxe um novo participante para as negociações: o assessor financeiro. “Antes, bastava convencer o comprador e a esposa, eventualmente, a fechar o negócio. Agora, preciso também provar ao assessor que aquele imóvel é um excelente investimento, com perspectiva de valorização ao longo do tempo. Nosso trabalho ficou mais complexo”, brinca Lindenberg. Na Zona Oeste, Faena São Paulo apresenta forte potencial de valorização — Foto: EVEN/DIVULGAÇÃO