“Nós criamos o nosso mito. O mito é a fé, uma paixão. Não é necessário que ele seja uma realidade. (…) A esse mito, a essa grandeza que queremos transformar numa realidade total, subordinamos tudo”. A frase é de Benito Mussolini que, entre a primeira e a segunda guerras mundiais, foi o líder irracional, contraditório, louco, mítico, implacável com seus opositores, sanguinário – e ainda assim, e por isso mesmo, tornou-se a inspiração de todo movimento de extrema-direita internacional e de vários déspotas, inclusive de Adolf Hitler. Jair Bolsonaro e os militares que o guindaram ao poder seguiram fielmente seus ensinamentos. O projeto jabuticaba de tomada de poder começaria com eleições, sob um regime democrático. O momento seguinte seria o de permanência do poder pela força e com o apoio da massa fascista, míope e armada.
Se, como Umberto Eco, entendermos a diferença entre nazismo e fascismo apenas pela consistência ideológica – o nazismo a tinha; o fascismo é uma “uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas” – poderíamos dizer que a construção fascista no Brasil tentou reduzir essa diferença. Jair Bolsonaro e os militares de seu entourage se atiraram no neoconservadorismo ultraliberal que, nas últimas décadas, fixou território em todo o mundo, formou “think tanks” para disseminar o neoliberalismo econômico sem liberalismo político e reinventou um regime que se julgava enterrado pela História.















