“A história se repete, a primeira como tragédia, a segunda como farsa.” A frase de Marx, que inicia O 18 de Brumário de Luís Bonaparte, sobre a ascensão do sobrinho de Napoleão Bonaparte ao poder, em 1851, na França, por meio de um golpe, poderia ter sido repetida nos últimos 175 anos em várias súbitas viradas políticas ocorridas ao redor do mundo. Não cabe, todavia, para definir o bolsonarismo. Jair Bolsonaro foi o líder medíocre, a exemplo de Luís Bonaparte, mas personificou uma tragédia tão marcada por farsas, e farsas tão marcadas por tragédias, que torna difícil qualificar seu filho como o sujeito de todas as farsas, ou como o farsante que quer ocupar o lugar de um grande líder.
Nenhum é grande líder. Ambos, Jair e Flávio, são produtos de grandes farsas. Mas Flávio Bolsonaro rema contra a maré.
Jair, o líder fascista, ergueu-se na esteira da ascensão internacional da extrema-direita, da ação sub-reptícia estadunidense contra governos de esquerda, da briga mortal por mercados e insumos estratégicos, do uso indiscriminado do neopentecostalismo para mobilização de uma pequena burguesia colocada à margem de um capitalismo selvagem e da naturalização de uma concentração de renda brutal. Flávio tenta emergir em um cenário onde o maior representante da plutocracia que toma o planeta Terra (e quer estender o seu poder ao sistema solar), Donald Trump, tornou todos os países do mundo potenciais vítimas de sanções, ameaças às suas soberanias, armações contra seus sistemas políticos e guerras decididas do nada, contra qualquer alvo.









