Eleições 2026

Desde o clássico livro O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, sabemos que o sucesso na política depende de uma combinação de capacidade (que ele chama de virtu) com sorte (que ele chama de fortuna). Um líder com capacidade e sem sorte vai ter muitas vitórias, porém fatalmente perderá em algum momento; pior é o líder com sorte, mas sem capacidade. Este certamente vai perder mais do que ganhar.

Para Lula e o campo progressista no Brasil, a conjuntura atual está marcada por uma rara combinação de capacidade e sorte. Nesta semana que se inicia em 25 de maio, a Câmara dos Deputados vai concluir a votação da PEC que põe fim à escala 6×1 e institui a escala 5×2, sem redução salarial. E é de extrema importância que essa votação ocorra na esteira da revelação das relações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e preso por fraudes bilionárias.

Os áudios e mensagens entre eles tiveram como consequência um enfraquecimento da candidatura bolsonarista. Tal enfraquecimento foi confirmado em duas pesquisas divulgadas na semana passada. Primeiro, na pesquisa Atlas divulgada em 18 de maio, Lula cresceu pouco, saindo de 46,6% para 47%. O mais importante foi que Flávio caiu muito, baixando de 39,7% para 34,3%. Já no Datafolha de 22 de maio, a distância entre os dois era de 3% e passou para 9%: Lula marcou 40% contra 38% da pesquisa anterior e Flávio recuou de 35% para 31% no mesmo período.