Revelação de pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro não inviabiliza candidatura de filho de Bolsonaro, e presidente abre frente modesta, mas polarização segue intocada O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ) — Foto: Fotos de Evaristo Sá/AFP e Andressa Anholete/Agência Senado RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 16:55 Flávio Bolsonaro busca R$ 134 mi para filme sobre pai e impacta pré-candidatura A revelação de que Flávio Bolsonaro solicitou R$ 134 milhões para financiar um filme sobre seu pai abalou sua pré-candidatura à Presidência, mas não a inviabilizou. Pesquisa Datafolha mostra discreta vantagem de Lula, que subiu de 38% para 40%, enquanto Flávio caiu para 31%. O cenário político segue polarizado, e o antipetismo continua forte, mantendo Flávio como um candidato viável contra Lula. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A revelação de que Flávio Bolsonaro pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai feriu a pré-candidatura do senador do PL à Presidência, mas, passada uma semana, o estrago não é suficiente para inviabilizá-lo e obrigar o bolsonarismo a buscar um novo nome. Esta é a principal conclusão que se pode extrair da pesquisa extraordinária que o Datafolha realizou, menos de uma semana depois da divulgação de sua rodada regular, agora depois de o caso já ser amplamente conhecido. O instituto voltou a campo na quarta e na quinta-feiras e, no intervalo de menos de uma semana, captou uma discreta movimentação nos cenários de primeiro e segundo turnos que têm Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente oscilou de 38% para 40% na simulação de primeiro turno, enquanto Flávio caiu de 35% para 31%. Na projeção de um embate de segundo turno, o empate em 45% captado na semana passada deu lugar a uma estimativa de 47% a 43% em favor do petista. Como a margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, Lula precisaria estar no limite inferior da margem e Flávio, no superior, para que o empate de uma semana atrás estivesse mantido. A vantagem que Lula conseguiu abrir após uma semana extremamente negativa para Flávio Bolsonaro não é grande e não anula a rejeição ainda muito alta do presidente. Neste quesito, as posições numéricas dele e de Flávio se inverteram, mas ambos seguem com altas taxas (46% do candidato do PL, contra 45% do petista). Politicamente, o saldo da pesquisa, que era aguardada com grande ansiedade nos escritórios políticos e da Faria Lima, é que Flávio segue vivo na disputa, embora manco. E este é um cenário que não desagrada o comando da campanha lulista: a possibilidade de uma troca de Flávio por Michelle Bolsonaro, que nunca chegou a ser provável do ponto de vista da lógica que guia os interesses de Jair Bolsonaro, fica ainda mais afastada. A ex-primeira-dama é considerada pelo PT uma adversária mais difícil de combater e com maior potencial de estrago que o filho 01. O que fica nítido a partir da pesquisa é que a polarização, que cientistas políticos como Felipe Nunes costumam classificar como calcificação, segue inabalada mesmo depois do solavanco na candidatura bolsonarista. Ou seja: nem a percepção de que o candidato mentiu, que mais coisas podem aparecer e que sua vantagem nas pesquisas não era sólida deram fôlego a outros nomes que tentam se viabilizar no campo do antilulismo, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). A dianteira que Lula conseguiu abrir não lhe dá nenhuma tranquilidade de deixar de conferir o retrovisor. As boas notícias para o presidente residem mais no fato de que ele superou seu pior momento, logo após a derrota na indicação para Jorge Messias no Senado, e viu cessarem as especulações a respeito de uma possível desistência de sua candidatura a um quarto mandato. A expectativa em seu campo é que a continuidade das investigações a respeito das transações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, aliadas aos resultados de uma linha de montagem de políticas eleitoreiras lançadas a toque de caixa nas últimas semanas, acabem ampliando a vantagem de Lula. Do lado de Flávio, as primeiras reações após a aguardada pesquisa foram de alívio. Eles consideram que o tiro desferido pelo campo adversário, que, avaliam, foi antecipado justamente para tirar Lula de seu momento mais delicado, não acertou o coração, mas no máximo o joelho do senador. E que o antipetismo segue como a força motriz da eleição. Portanto, passada a tempestade, eles avaliam que Flávio Bolsonaro vai recuperar o terreno perdido, uma vez que ficará claro que a candidatura não será trocada e que ele segue como o mais capaz de derrotar Lula no segundo turno.