Saída de estrategista digital, crise no marketing e declaração de Valdemar ampliam turbulência dentro do PL mesmo após ofensiva internacional do senador; objetivo agora é destravar alianças estaduais Flávio Bolsonaro e Donald Trump — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 16:44 Campanha de Flávio Bolsonaro Enfrenta Crise e Disputas Internas A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro enfrenta turbulências internas, mesmo após a tentativa de reverter a crise com um encontro com Donald Trump. Problemas incluem a saída de estrategistas, disputas de poder e desafios nas alianças estaduais. A declaração de Valdemar Costa Neto sobre a ligação de Flávio com o banqueiro Vorcaro gerou mais tensões. A campanha busca reposicionar Flávio politicamente, destacando pautas de gestão e segurança pública, enquanto enfrenta resistência de alas bolsonaristas mais tradicionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A tentativa da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de virar a página da crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro por meio da reunião com Donald Trump não foi suficiente para conter as turbulência dentro do PL. Enquanto aliados do senador tentam vender a viagem aos Estados Unidos como demonstração de força política e recuperação de viabilidade eleitoral, o entorno da campanha segue atravessado por disputas internas, críticas à reformulação do marketing, ruídos com a cúpula partidária e saídas sucessivas de integrantes da equipe. Ao mesmo tempo, a pré-campanha ainda tenta destravar impasses estaduais e organizar os palanques regionais considerados estratégicos para sustentar uma ofensiva nacional mais ampla do senador nos próximos meses. Nos bastidores da legenda, dirigentes admitem que a crise envolvendo o caso “Dark Horse” produziu um processo de recomposição de forças dentro da pré-campanha. A avaliação de aliados é que o desgaste provocado pela relação entre Flávio e Vorcaro abriu uma disputa silenciosa sobre quem controlará a reconstrução política da candidatura presidencial do senador e qual perfil a campanha deverá assumir daqui para frente. A situação se agravou após a declaração do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, sobre a visita feita por Flávio a Vorcaro após a prisão do banqueiro. Em entrevista à GloboNews, nesta segunda-feira, Valdemar afirmou que o senador teria procurado o dono do Banco Master para “ver se conseguia o restante do dinheiro” prometido para financiar o filme “Dark Horse”, versão diferente da apresentada publicamente por Flávio, que disse ter ido ao encontro apenas para “colocar um ponto final” na relação. A fala provocou irritação imediata em aliados da família Bolsonaro, que passaram a acusar reservadamente Valdemar de ampliar os danos políticos da crise e gerar novos constrangimentos para a pré-campanha justamente no momento em que Flávio tentava reposicionar sua imagem internacionalmente ao lado de Trump. Sem citar diretamente o dirigente partidário, o ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro Fabio Wajngarten reagiu nas redes sociais afirmando que “muitos que juram nunca falar com a imprensa são continuamente expostos em contradições, vazamentos, criando embaraços desnecessários”. A repercussão obrigou Valdemar a divulgar um vídeo afirmando que sua fala havia ficado “confusa” e negando ter tratado do tema diretamente com Flávio. — Nunca falei com o Flávio sobre esse assunto. Não conversei isso com ele — afirmou. O episódio aprofundou a percepção de desorganização justamente no momento em que a campanha tentava vender a viagem aos Estados Unidos como símbolo de recuperação política. Ao mesmo tempo, a reformulação da equipe de comunicação seguiu produzindo novos ruídos internos. Na semana passada, o publicitário Marcello Lopes deixou a campanha após embates ligados à condução da comunicação durante a crise envolvendo Vorcaro. Após sair da equipe, Marcellão afirmou ao GLOBO que sofreu “ataques covardes” e uma operação de desgaste conduzida dentro do próprio entorno político de Flávio. Na terça-feira, outra baixa atingiu a estrutura da pré-campanha. O estrategista digital Marcos Carvalho, que participou da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e havia sido resgatado pelo entorno de Flávio para construir uma imagem mais moderada do senador, também deixou oficialmente o projeto. Seu trabalho já vinha sendo alvo de críticas de diferentes alas da campanha. A saída de Carvalho ocorreu no dia seguinte à entrada do jornalista Alexandre Oltramari e do publicitário Eduardo Fischer no núcleo central da campanha. A escolha da dupla, porém, também abriu uma nova frente de desconforto dentro do PL. Interlocutores ligados à pré-campanha afirmam reservadamente que parte dos aliados de Flávio ainda não compreendeu exatamente qual será o reposicionamento político pretendido pela nova equipe de marketing. Parlamentares próximos do senador passaram a questionar “para onde a campanha quer ir” após a chegada de Oltramari e Fischer. Parte dos aliados teme que a tentativa de reposicionamento mais moderado afaste a militância bolsonarista. Outra ala avalia que a candidatura só sobreviverá se conseguir reduzir a rejeição fora do núcleo ideológico mais fiel. Além disso, dirigentes e parlamentares passaram a reclamar reservadamente da concentração de decisões nas mãos de Rogério Marinho. Segundo interlocutores ouvidos pelo GLOBO, praticamente todas as definições relevantes da campanha passaram a depender do aval do senador após o agravamento da crise envolvendo Vorcaro. Aliados de Marinho, porém, afirmam que a reorganização era inevitável diante da percepção de que a campanha havia perdido o controle da narrativa após a divulgação das mensagens, áudios e encontros entre Flávio e Vorcaro. Nos bastidores, integrantes do novo núcleo político resumem a atual operação como uma tentativa de construir um “novo Flávio”: menos dependente exclusivamente do sobrenome Bolsonaro e mais associado a pautas de gestão, economia, segurança pública e combate à corrupção. Ofensiva nacional vira aposta A estratégia inclui ampliar viagens, retomar palanques regionais e produzir fatos políticos para tirar a pré-campanha da defensiva permanente criada pela crise do Banco Master. Integrantes da articulação do PL, porém, afirmam que a ofensiva nacional de Flávio ainda vem sendo conduzida com cautela por causa das indefinições estaduais para 2026. Nos bastidores, aliados do senador avaliam que uma entrada mais agressiva de Flávio no circuito nacional de agendas antes da consolidação dos palanques regionais poderia aprofundar conflitos locais e produzir novos atritos internos justamente num momento em que a campanha tenta reorganizar sua estrutura política. Parte importante dessa articulação vem sendo conduzida por Rogério Marinho, que passou a liderar negociações estaduais e tentativas de acomodação entre diferentes alas do partido antes do aval final de Jair Bolsonaro sobre os principais palanques regionais. Hoje, dirigentes do PL trabalham na consolidação de um panorama nacional das disputas estaduais para ser apresentado ao ex-presidente nas próximas semanas. A ideia é levar a Bolsonaro diferentes cenários eleitorais, potenciais alianças e avaliações sobre riscos políticos em cada estado. Minas Gerais aparece hoje como um dos principais impasses. PL e Republicanos seguem sem acordo sobre quem deverá liderar a disputa ao governo estadual, enquanto aliados de Flávio pressionam para destravar rapidamente o palanque no segundo maior colégio eleitoral do país. No Rio de Janeiro, a situação de Cláudio Castro passou a produzir preocupação crescente dentro do entorno da pré-campanha após sucessivas operações da Polícia Federal e o desgaste envolvendo fundos ligados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. Integrantes do PL já discutem reservadamente alternativas para a disputa ao Senado. No Ceará, divergências envolvendo a aproximação de setores do PL local com Ciro Gomes também ampliaram tensões internas e chegaram à própria família Bolsonaro, após críticas públicas feitas por Michelle Bolsonaro à movimentação. A avaliação predominante dentro da campanha é que Flávio só deverá ampliar de forma mais ostensiva a presença em agendas nacionais depois da definição dos principais palanques estaduais e da redução dos conflitos regionais dentro do partido. Como a crise reorganizou a campanha de Flávio Rogério Marinho e o núcleo político Hoje é o grupo mais poderoso da pré-campanha. Marinho concentra praticamente todas as decisões estratégicas após a crise com Vorcaro e passou a comandar a reorganização política do projeto presidencial. Defende uma campanha mais institucional, com aproximação do mercado, discurso de gestão e tentativa de reduzir improvisos. Nos bastidores, porém, aliados reclamam de centralização excessiva, lentidão e dificuldade de interlocução. Oltramari, Fischer e o novo marketing A entrada de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer marcou a tentativa de “refundar” a comunicação da campanha após o desgaste do caso Master. A dupla defende: um Flávio mais moderado;foco em gestão, economia e segurança pública;menos dependência exclusiva do sobrenome Bolsonaro;produção de agendas políticas próprias. Dentro do PL, porém, parte dos aliados ainda não entende exatamente qual será o posicionamento da campanha daqui para frente. Bolsonarismo raiz e ala digital Grupo mais ligado ao entorno de Carlos e Eduardo Bolsonaro e à militância ideológica. A avaliação reservada é que a campanha corre risco de “pasteurizar” Flávio ao tentar moderar demais sua imagem. Defendem: discurso mais agressivo;confronto direto com o PT;manutenção da identidade bolsonarista clássica;menos “marketing publicitário”. Parlamentares aliados de Flávio Deputados e aliados estaduais passaram a reclamar da condução da crise envolvendo Vorcaro. Segundo relatos internos, faltou orientação política nos primeiros dias e a campanha demorou para reagir.