A campanha de Flávio Bolsonaro passou a rever estratégias depois dos danos causados pelo envolvimento dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Pressionado pela crise, que piorou seu desempenho nas pesquisas, o pré-candidato do PL à Presidência fez mudanças na equipe e estabeleceu como prioridade criar fatos políticos que possam ajudar a neutralizar o escândalo. A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (22) — a primeira do instituto após virem à tona os pedidos de dinheiro de Flávio a Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro — confirmou a expectativa de aliados do senador, de uma queda inevitável, mas longe de enterrar a candidatura. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato do PT, ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio no primeiro turno e agora marca 40% de intenções de voto, ante 31% do rival. Em eventual segundo turno, Lula vai a 47%, e Flávio registra 43% — empate técnico, já que a margem de erro é de dois pontos. O instituto mostrou também que 64% dos entrevistados ouviram falar do caso Flávio-Vorcaro. A crise instalada no entorno do senador deve antecipar alguns movimentos que ele vinha evitando, segundo fontes da pré-campanha. Flávio foi aconselhado a apresentar pontos do programa de governo e anunciar porta-vozes para a economia e outras áreas. O Valor apurou que o pré-candidato deve indicar um interlocutor para o mercado — reivindicação dos agentes econômicos para aprofundar o diálogo com a candidatura — e outro que discuta propostas para a saúde. Antes do episódio Vorcaro, a cúpula da campanha resistia a essas pressões, por ver um risco desnecessário diante da evolução até então positiva do senador. “Não dá mais para jogar parado. Ele tomou um gol e precisa virar o jogo”, diz um auxiliar, sob reserva. A avaliação é que o momento é crucial para “virar a página” e sinalizar a manutenção da candidatura, afastando rumores como o de substituição de Flávio pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O “tom propositivo” desejado pelos estrategistas, que falam na necessidade de tornar o projeto como um todo “mais crível” do ponto de vista político, é um dos desafios do novo comando da comunicação da campanha. A reação de Flávio à crise, que sofreu críticas inclusive internas, levou à saída do marqueteiro Marcello Lopes. Para o lugar dele, foi convidado o publicitário Eduardo Fischer, que praticamente não tem experiência na área política. O otimismo de parte dos integrantes da campanha, que veem Flávio com um piso eleitoral consolidado e sem ameaça real de outros postulantes da oposição, coexiste com a análise fria de que o tema sobreviverá como uma “pedra no sapato” até o fim, com a natural exploração do caso por Lula e outros adversários. Por isso, a ordem é introduzir novos conteúdos e investir em agendas. Uma das expectativas é pelo eventual encontro de Flávio com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A campanha tenta articular a reunião, que não foi confirmada pela Casa Branca, e vislumbra uma foto dos dois. Em outra frente do pacote de contenção de danos, o PL busca no curto prazo retomar a organização dos palanques e alianças, que foram afetados pelo desgaste do presidenciável. A informação de que Flávio se aproximou de Vorcaro pegou os correligionários de surpresa e ligou o alerta para o risco de debandada. Há pressão para definir os candidatos a governos estaduais e Senado que deem sustentação ao pré-candidato em Estados-chave, como Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Pressionada, campanha de Flávio Bolsonaro corre para anunciar porta-vozes para tentar desviar da crise Dark Horse
A avaliação é que o momento é crucial para “virar a página” e sinalizar a manutenção da candidatura, afastando rumores como o de substituição de Flávio pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL)












