Aliados defendem profissionalização da comunicação após desgaste provocado pelo caso Master e avaliam que senador demorou a reagir à crise Flávio se pronuncia após reunião com parlamentares do PL e outros aliados, que mostraram incômodo com a condução política do caso — Foto: Cristiano Mariz RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 17:14 Flávio Bolsonaro reforça comunicação após crise com Banco Master A pré-campanha de Flávio Bolsonaro busca fortalecer sua comunicação após a crise envolvendo o Banco Master. Aliados defendem a contratação de um especialista em marketing, mencionando o publicitário Eduardo Fischer, conhecido por campanhas de grande alcance. A crise começou com áudios revelados pelo Intercept, onde Flávio pede apoio financeiro para um filme, gerando desgaste político e exigindo uma resposta mais profissional e coordenada. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma ala da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a defender nos bastidores o reforço da equipe de comunicação e marketing do presidenciável após o desgaste provocado pelas revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Dentre os nomes sondados está o do publicitário Eduardo Fischer, responsável por campanhas conhecidas da publicidade brasileira, entre elas o “revival” do personagem “Baixinho da Kaiser”, que ganhou repercussão nacional nos anos 1990 como garoto-propaganda da cerveja e voltou às telas no início em 2006. Integrantes do entorno de Flávio avaliam que o senador entrou em modo reativo desde o início da crise envolvendo o caso Master e passou a ser levado “a reboque” do noticiário, demorando para responder a temas que, na visão de aliados, deveriam ter sido tratados antes mesmo de ele aceitar entrar oficialmente na corrida presidencial. Da mesma forma, membros da campanha também afirmam que a demora na reação política acabou agravando o desgaste do senador, especialmente após a sequência de versões apresentadas sobre sua relação com Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a campanha presidencial de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A avaliação de parte da coordenação da pré-campanha é que faltou uma estratégia mais agressiva de comunicação para conter a crise logo nas primeiras horas após a divulgação dos áudios e documentos pelo Intercept Brasil. A leitura interna, nesse sentido, é que Flávio demorou a se posicionar publicamente e acabou transmitindo insegurança política ao mudar versões sobre o alcance de sua relação com Vorcaro. Segundo aliados, um marketeiro mais experiente, nesse momento, viria a calhar. Diante disso, aliados passaram a defender uma “profissionalização” maior da comunicação da campanha e começaram a discutir nomes do mercado publicitário capazes de reposicionar a imagem do senador para além do núcleo bolsonarista mais fiel. O nome de Eduardo Fischer surgiu nesse contexto justamente por ser visto por parte da campanha como alguém capaz de construir comunicação de grande alcance popular e ajudar Flávio a recuperar iniciativa política depois de dias sendo pressionado pelo noticiário. Segundo a Academia Brasileira de Marketing, Fischer é considerado um dos pioneiros da comunicação integrada no Brasil e esteve por trás de campanhas publicitárias de grande repercussão nacional nas últimas décadas. Além da retomada do personagem “Baixinho da Kaiser”, o publicitário participou de campanhas como “Brahma número 1”, “Experimenta Nova Schin” e “Baby Telesp Celular”, além de ter idealizado o movimento “SWU (Starts With You)”. O empresário também teve sociedade com o apresentador e empresário Roberto Justus no mercado publicitário, numa parceria que ajudou a consolidar seu nome entre os principais executivos da comunicação brasileira nos anos 1990 e 2000. Ainda segundo a entidade, Fischer acumula mais de 700 prêmios da publicidade brasileira e internacional ao longo de três décadas de carreira e já foi eleito cinco vezes “Publicitário do Ano” no Brasil. O empresário também presidiu a comissão de comunicação integrada do Congresso Brasileiro da Associação Brasileira de Agências de Publicidade e integrou iniciativas internacionais de promoção da imagem do Brasil no exterior. Nos bastidores, a defesa pelo reforço da comunicação é puxada principalmente por integrantes da ala da campanha ligada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador político da pré-campanha presidencial. O movimento também expôs atritos internos envolvendo o atual núcleo mais próximo da comunicação de Flávio, especialmente em relação a Marcelo Lopes, conhecido como “Marcelão”, amigo pessoal do senador e figura influente no entorno do presidenciável. Integrantes da campanha afirmam reservadamente que Marcelão não seria o nome ideal para o momento atual justamente por não ter perfil técnico de marqueteiro político. A avaliação dessa ala é que a pré-campanha entrou em uma fase mais profissionalizada e de maior exposição pública, exigindo alguém com experiência em gerenciamento de crise, comunicação de massa e campanhas nacionais. Também há reclamações internas sobre o fato de Marcelão ter mantido viagens aos Estados Unidos enquanto a crise envolvendo o caso Master dominava o noticiário político no Brasil. Entre aliados, a avaliação reservada é que a ausência acabou reforçando a percepção de falta de coordenação e de comando na resposta inicial dada pela campanha. A discussão sobre reforço no marketing ocorre num momento em que aliados do senador passaram a admitir reservadamente preocupação com o impacto político do caso Master sobre a viabilidade da candidatura presidencial. Embora integrantes do PL sigam defendendo publicamente que Flávio permanece como candidato do partido ao Planalto, nos bastidores cresceu a avaliação de que novas revelações sem relação direta com o filme poderiam tornar a situação política do senador “inviável”. A crise começou após o Intercept revelar áudios em que Flávio pede apoio financeiro a Vorcaro para ajudar a concluir “Dark Horse”. Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados ao longa e cita o risco de não conseguir honrar compromissos assumidos com integrantes da equipe do filme, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Desde então, novas reportagens passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do longa, além de mensagens discutindo formas de envio de recursos aos Estados Unidos. Na tentativa de conter o desgaste, Flávio passou a defender publicamente a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciou medidas de “prestação de contas” relacionadas ao investimento feito no filme. Mesmo assim, aliados avaliam que a pré-campanha ainda não conseguiu recuperar o controle da narrativa política sobre o caso.
Pré-campanha de Flávio busca reforço no marketing após crise do caso Master e mira publicitário ligado ao 'Baixinho da Kaiser'
Aliados defendem profissionalização da comunicação após desgaste provocado pelo caso Master e avaliam que senador demorou a reagir à crise
















