Os irmãos Carlos, Flávio e Jair Renan em evento na Paulista, enquanto Michelle discursa: família vem se desentendendo na formação de palanques e trocado farpas e indiretas — Foto: Miguel Schincariol/AFP/6-4-2025 A divulgação dos áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”, não abalou apenas o QG da pré-campanha à Presidência da República mas produziu também um efeito colateral no clã Bolsonaro: interrompeu o ensaio de “pacificação” entre o “filho zero um” do ex-presidente Jair Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle. Os dois estão rompidos desde que Michelle criticou publicamente, em novembro do ano passado, a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e foi desautorizada pelo enteado. Em reação, Flávio chamou Michelle de “autoritária” e disse que ela “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”, que havia autorizado a aliança. Depois ele pediu desculpas em privado. Ela queria uma retratação pública. Após uma articulação nos bastidores que envolveu interlocutores dos dois lados, Michelle fez um aceno ao enteado ao lhe desejar “feliz aniversário” em suas redes em 30 de abril, quando Flávio comemorou 45 anos. O roteiro de reaproximação previa uma manifestação de Michelle declarando apoio explícito à candidatura do senador ao Palácio do Planalto, mas o movimento foi abortado com a divulgação dos áudios em que Flávio cobra de Vorcaro dinheiro para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Depois disso, ele acabou reconhecendo ter recebido R$ 61 milhões por um fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. Na terça-feira (19), a ex-primeira-dama foi questionada pela imprensa sobre as suspeitas em torno de Flávio no caso Master, ao comparecer ao lançamento da pré-candidatura de Maria Amélia, vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal. Na ocasião, tentou sair pela tangente. “[Sobre] Flávio, você tem que perguntar para ele”, respondeu, sorrindo. “Estou cuidando do meu marido e, quando consigo conciliar a agenda, eu participo de eventos como esse.” Considerando o que a ex-primeira-dama tem dito nos bastidores sobre o episódio, foi uma reação branda. A aliados, ela tem demonstrado bastante irritação e afirmado que nem ela nem o ex-presidente sabiam do envolvimento de Flávio com Daniel Vorcaro. “Flávio virou um candidato tóxico, radioativo”, disse um interlocutor de Michelle ouvido pelo blog em caráter reservado. Mágoa A relação de Michelle com os filhos de Bolsonaro sempre foi marcada por tensão, rancor e desconfiança mútua. Segundo uma influente liderança evangélica, Michelle tem mágoa até hoje por não ter sido escolhida vice numa eventual chapa presidencial encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que acabou decidindo disputar a reeleição — o que ela frequentemente nega até para os mais próximos. Depois do abalo na campanha de Flávio com o caso Master, lideranças do Centrão passaram a ventilar nos bastidores uma dobradinha da senadora Tereza Cristina (PP-MS), com a ex-primeira dama na vice, o que serviria para manter o sobrenome “Bolsonaro” na chapa presidencial, ainda que num papel secundário. Fogo cruzado A falta de engajamento de Michelle na pré-campanha de Flávio se tornou um foco permanente de discussão no entorno bolsonarista, que precisa da presença da ex-primeira-dama para reduzir a rejeição do senador no eleitorado feminino. A mais recente pesquisa Quaest/Genial, divulgada em 13 de maio, mostra o senador do Rio com 36% das intenções de voto no eleitorado feminino, ante 45% de Lula. Entre os homens, a situação se inverte: Flávio tem 47%, contra 39% do petista. Mas Michelle não parece muito disposta a entrar em campo por Flávio – nem sair em sua defesa.
Escândalo do Master trava pacificação entre Michelle e Flávio Bolsonaro
Escândalo do Master trava pacificação entre Michelle e Flávio Bolsonaro













