Eleições 2026

O que está em jogo no lar bolsonarista não é quem vai disputar as eleições presidenciais de outubro – o príncipe ou a rainha, o peão ou o cavalo. Hoje, e depois do Escândalo Master, ninguém consegue definir o verdadeiro valor de face do bolsonarismo. O ex-capitão está na cadeia, cumprindo pena por golpe de Estado. A ideia de um líder forte, encantador de serpentes, sumiu atrás das grades. A reiterada exposição de suas fragilidades físicas desmonta a imagem do Mussolini jabuticaba, do super-herói que vai “livrar o País” de alguma coisa. Seu filho Flávio, autodenominado sucessor político do pai, registra nas pesquisas perdas crescentes entre eleitores antes cativos de Jair. Aquele que se nomeia candidato a presidente por direito de sucessão foi engolido pelo mar de lama do banco de Daniel Vorcaro e de uma relação antipatriótica com os Estados Unidos, a quem só falta pedir explicitamente que lidere um golpe de Estado no Brasil.

O legado político depositado no tabuleiro do xadrez da direita brasileira em 2026 é muito mais que Flávio ou mesmo Jair. O mais importante, para esse espectro, não é perenizar o bolsonarismo, mas um eleitorado conservador que deixou de ser apenas um aglomerado de fanáticos em torno de um líder e passou a reunir um contingente expressivo de simpatizantes, por adesão ideológica, em torno de partidos políticos.