A menos de cem dias das eleições, o poder destrutivo da ex-primeira-dama Michelle se mostra maior que as defesas do filho 01. Este, embora mantenha o ar de arrogância, está acuado, quase a ponto de desmaiar, sem respostas para a crise que ameaça a candidatura presidencial. O objetivo da guerra, que vai corroendo o bolsonarismo por dentro, é assegurar a liderança da extrema direita no país. Nem que para isso seja preciso um familicídio.

O comportamento claudicante de Flávio Bolsonaro não é novidade. Em outros momentos da campanha, ele já havia rateado. Até agora sua participação no caso Dark Horse e no tarifaço 2.0 de Trump carece de explicações.

O filhão prefere se esconder a enfrentar os problemas. A qualquer sinal de dificuldade, inventa uma viagem. O último destino foi a Argentina, onde tirou uma foto todo agasalhado ao lado do "libertário" Javier Milei. Típico encontro para figuração nas redes, significando o que todos estão carecas de saber: servilismo total aos Estados Unidos. É tudo o que Lula, com seu discurso de soberania, deseja.

O primeiro torpedo de Michelle —o vídeo de 27 minutos em que enfatiza seu papel de mulher submissa e afirma que seu futuro político está entregue "nas mãos de Deus"— foi calculado nos mínimos detalhes. Provavelmente teve a aprovação do patriarca Jair e do principal aliado, Valdemar Costa Neto. A ex-primeira-dama largou a presidência do PL Mulher. Na briga interna, ela representa o segmento evangélico, com a missão de expor seus adversários como fariseus.Paulo Figueiredo, agitador do núcleo golpista instalado nos EUA, mordeu a isca. Ao atacar Michelle, disse que mulheres votam muito mal. Se queria aumentar o rechaço do voto feminino a Flávio, conseguiu.