Lula e os Bolsonaros têm apoio cego dos eleitores. Nada os abala. Lula ganhou uma eleição no auge do mensalão Flávio Bolsonaro e Lula — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 21:08 Lula propõe radicalização à esquerda em possível 4º mandato O presidente Lula planeja uma radicalização à esquerda em um possível quarto mandato, enquanto enfrenta a queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas. Lula aposta na estratégia "nós contra eles", focando em medidas populares como a isenção do IR para salários até R$ 5 mil e críticas aos "banqueiros". Flávio, por sua vez, enfrenta escândalos ligados a Daniel Vorcaro. A disputa entre Lula e os Bolsonaros permanece acirrada, com ambos mantendo forte apoio de seus eleitores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pelas informações que circulam no meio político, o presidente Lula pretende imprimir num eventual quarto mandato uma radicalização à esquerda que não esteve presente em nenhum dos anteriores. Já havia a suspeita de que ele pudesse querer deixar essa marca durante seu governo, embora, na campanha, pudesse vender a imagem de moderado para atrair um eleitor não petista que não pretenda votar em Flávio Bolsonaro. Como sempre se soube, na política uma coisa é o que se diz na campanha, outra é o que se faz durante o governo. Mas os relatos dão conta de que Lula está animado com a queda de Flávio nas pesquisas e pretende acelerar a tática do “nós contra eles”, se apoiando mesmo nas medidas já tomadas de isenção do Imposto de Renda para os que ganham até R$ 5 mil e nos ataques aos “banqueiros e milionários” que diz se aproveitarem da desigualdade social do país para enriquecer mais ainda. O envolvimento de Flávio com o ex-banqueiro trambiqueiro Daniel Vorcaro, colocando o escândalo do Banco Master no colo do bolsonarismo, seria outra oportunidade para explorar a pretensa perversidade dos ricos contra os pobres, confirmada pelo desvio de verbas da Previdência para investimentos inseguros de vários estados, como o Rio de Janeiro. No pacote, pode até mesmo voltar o imposto sobre grandes fortunas, que já causou problemas em diversos países da Europa e em estados dos Estados Unidos. Fazendo isso, o candidato Lula contradiz sua própria experiência, pois sempre que foi para o centro político ganhou a eleição. Se radicalizar, dará razão aos que temem justamente esse estado de coisas, acusando-o de ser um esquerdista perigoso. Flávio ficaria reforçado em sua posição antagônica e provavelmente ganharia novamente apoio do mercado financeiro e dos eleitores de centro-direita que se decepcionaram com sua aproximação de Vorcaro. A mais recente pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República — BTG/Nexus — mostra o mesmo resultado do Datafolha, com queda de Flávio depois da divulgação dos áudios com Vorcaro. Na verdade, o resultado ainda mostra empate técnico, na margem de erro, com vantagem numérica ampliada de Lula. Foi um estrago pequeno para Flávio, mas outros fatos podem aparecer neste mesmo episódio, porque ainda há muita coisa mal explicada. Se for descoberto que parte do dinheiro do filme sobre Jair Bolsonaro foi desviado para sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, ou se Mário Frias teve algum tipo de remuneração além do devido, se ficar provado que o dinheiro não era apenas para o filme, aumenta a crise para Flávio. Há ainda as delações premiadas, em que pode aparecer muita coisa, inclusive sobre Lula. Teremos de esperar. Nenhum candidato da direita se mostrou viável até agora para substituir Flávio e, se não surgir nada definitivo contra ele, será o candidato desse campo no segundo turno. Muitos que agora se desiludiram e não votam em Lula acabarão votando nele mesmo. Apenas algo muito grande e escandaloso que retire Flávio da disputa pode mudar o quadro. Do jeito que vai, Lula e os Bolsonaros têm apoio cego dos eleitores. Nada os abala. Lembremos que Lula ganhou uma eleição no auge do mensalão. Se bem que pediu desculpas, disse que foi traído, mas era uma crise imensa, e ele conseguiu superar. Não será surpresa, porém, se Bolsonaro conseguir superar esta crise. Os dois são líderes populistas, carismáticos, que têm apoio firme de grande parte do eleitorado próprio. A disputa prosseguirá até o fim da campanha. Não acredito que Bolsonaro troque um filho por Michelle. Ele prefere perder com Flávio a ganhar com qualquer outro. Qualquer um que não fosse de sangue passaria a ser o líder da direita, e ele perderia a importância.