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Jornalista e cientista social. Trabalhou nos principais jornais do país. Foi assessora do Instituto Lula.

O líder das massas escolhido foi Jair Bolsonaro, que tinha currículo de ‘homem médio’: militar de baixa patente e parlamentar medíocre, como Hitler e Mussolini

Foi como encenar uma ópera bufa. O enredo, subtraído de fenômenos políticos que produziram os regimes mais cruéis da humanidade, o fascista italiano e o nazista alemão, tinha o propósito de levar as massas ao delírio com frases que não significavam absolutamente nada, exceto ódio, impropérios, manifestação explícita de preconceito, ameaça de desobediência à ordem instituída e culto ao uso da força. O espetáculo deu certo. A massa, embevecida, imprimiu em seu cérebro não apenas um líder agressivo e inculto que deveria ser imitado, mas a ideia de impunidade – para o ódio, a violência, o preconceito e o atentado contra as instituições que podem criminalizar e punir o ódio, a violência e o preconceito.

A história brasileira da última década relata o fenômeno quase incompreensível de fascistização das massas sem que o país tenha saído derrotado de uma guerra, nem fatalmente afetado por crises econômicas mundiais. A velocidade com que isso ocorreu e as circunstâncias – após períodos de estabilidade econômica que sucederam décadas de instabilidade, de redução da desigualdade social histórica e de baixas taxas de desemprego, obtidos em governos de um partido de esquerda – contrariam a lógica.