O país tem as habilidades para ser uma liderança em inovação, mas ainda fica atrás em integração Tecnologia e formação são vitais na inovação — Foto: Magnific RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 07:09 Brasil tem Potencial para Liderar Inovação em Saúde Globalmente O Brasil tem potencial para se tornar um líder global em inovação em saúde, mas enfrenta desafios de integração. Em 2023, a indústria de saúde liderou os investimentos globais em P&D com € 258,1 bilhões. Exemplos de sucesso como Singapura e China combinam políticas industriais e integração de pesquisa e mercado. O Brasil possui escala, diversidade e capacidade científica, mas precisa de uma plataforma mais integrada para competir globalmente. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A indústria de saúde é o segmento que mais dedica recursos para inovar: em 2023, foram investidos cerca de € 258,1 bilhões, o que equivale a 20,5% do total aplicado mundialmente em pesquisa e desenvolvimento. Embora países tradicionalmente líderes continuem concentrando boa parte dos investimentos, cresce o interesse por ecossistemas capazes de oferecer escala, diversidade de dados clínicos, capacidade científica e ambientes reais de validação de tecnologias. Novos atores têm despontado nesse contexto. O Brasil ainda não está entre eles, mas reúne atributos que podem levar a uma inserção mais consistente nas rotas globais de inovação em saúde. É interessante observar alguns exemplos mais recentes de quem estabeleceu estratégias com foco nas oportunidades. Singapura ocupa a 5ª posição no Global Innovation Index 2025 com o modelo Biopolis, uma referência na formação de ecossistemas de inovação. Políticas proativas, investimento público em infraestrutura de P&D e manufatura, atração de talentos internacionais, colocalização de institutos públicos de pesquisa, hospitais e empresas privadas no distrito de one-north, aproximando academia e indústria, e ambiente regulatório de confiança foram alguns ingredientes que permitiram ao país deixar de ser apenas um posto avançado de fabricação farmacêutica para ser um centro global que domina toda a cadeia de valor biomédica. Também há exemplos de economias emergentes, como a China. Em 2024, o país ultrapassou Estados Unidos e Europa como principal originador de novas moléculas. Esses países avançaram ao combinar política industrial, formação de clusters tecnológicos e integração entre pesquisa, produção e mercado. Passaram a oferecer uma plataforma mais completa de desenvolvimento tecnológico, capaz de reduzir riscos para empresas e acelerar o ciclo entre ciência e a indústria. E o Brasil? Nosso país reúne três características altamente valorizadas: escala, ambiente real de uso e capacidade científica instalada. Com mais de 213 milhões de habitantes e um sistema de saúde que realiza bilhões de atendimentos por ano, o Brasil oferece um ambiente único para o desenvolvimento e a validação de tecnologias médicas, sendo ainda um mercado notável para adoção e consumo de inovações. O Sistema Único de Saúde (SUS) atende cerca de 76% da população, enquanto a saúde suplementar reúne mais de 53 milhões de beneficiários. Igualmente importante é a diversidade demográfica, epidemiológica e socioeconômica do país, que permite avaliar tecnologias em diferentes perfis populacionais e contextos assistenciais. Para empresas, isso significa poder gerar evidências mais robustas sobre a eficácia e a segurança de tratamentos ou dispositivos. O Brasil também possui e forma em escala profissionais altamente qualificados. Ao mesmo tempo, tem instituições capazes de apoiar esse processo, como universidades, hospitais, institutos de pesquisa e tecnologia, mecanismos de conexão com a indústria e amadurecimento do ambiente regulatório. Apesar disso, o país ainda ocupa uma posição periférica na inovação e permanece dependente de importações. Em 2023, importou cerca de US$ 7,92 bilhões em medicamentos e US$ 6,71 bilhões em dispositivos médicos, além de depender de insumos estrangeiros para grande parte da sua produção farmacêutica. Trunfos nós temos, mas são bons ativos compartimentados em seus silos. Falta transformá-los em uma plataforma mais integrada e competitiva de desenvolvimento tecnológico. Centros colaborativos de inovação ganham importância estratégica nesse cenário. Países como Estados Unidos e Israel têm modelos consolidados que ajudam a organizar o ecossistema. Acredito que esses centros podem acelerar a jornada brasileira, tanto que o Einstein apresentou neste ano um modelo para desenvolver projetos de longo prazo com a indústria. Assim, fica mais clara a proposta de valor que o país já possui.
Brasil pode ser um polo global de PD&I em saúde
O país tem as habilidades para ser uma liderança em inovação, mas ainda fica atrás em integração











