O anúncio recente do Google de que o país figura entre os mercados mais estratégicos para iniciativas globais de aceleração tecnológica escancara uma assimetria incômoda: corporações estrangeiras enxergam nosso potencial disruptivo, aparentemente, com muito mais clareza do que os tomadores de risco locais.

Sobre o anúncio citado, o Brasil foi anunciado entre os cinco mercados prioritários do Google Cloud, conforme afirmou Henry Couto, chefe do Accelerator e Startups Latam da Google LLC. Essa chancela internacional prova que matéria-prima intelectual e capacidade de engenharia nunca faltaram nos trópicos, mas o capital nacional teima em permanecer amarrado a fórmulas econômicas jurássicas.

E o problema central não reside na escassez de talentos, tampouco na ausência de ferramentas de ponta capazes de redesenhar cadeias produtivas inteiras por meio de inteligência artificial e análise avançada de dados. O verdadeiro entrave está na inércia estrutural que impede o ecossistema de transitar da condição de celeiro de startups promissoras para a de criador de corporações globais de referência.

Enquanto o mercado interno tratar a inovação disruptiva como um passatempo corporativo ou apêndice de marketing, continuaremos a servir de celeiro de talentos e dados para corporações estrangeiras, abdicando do controle sobre as novas fronteiras da economia digital.