“O próximo governo, seja qual for, terá o desafio de segurar o crescimento do gasto. E o Congresso terá que entender isso’, diz Mansueto Almeida, do BTG Economia brasileira — Foto: Montagem com fotos Agência O Globo e Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 20:46 Desafios econômicos do Brasil: dívida, inflação e otimismo externo A economia brasileira enfrenta desafios complexos, com aumento de despesas e impactos da guerra do Irã. Mansueto Almeida, do BTG Pactual, destaca que o crescimento do gasto público e a elevação da dívida são preocupações para o próximo governo. Apesar de melhorias fiscais sob Lula, a inflação e juros altos complicam o cenário. Ainda assim, investidores internacionais mostram otimismo com o Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A economia não é simples. Nem sempre o indicador tem apenas um ângulo. Como o IBGE mostrou na semana passada, houve crescimento no primeiro trimestre, só que daqui para a frente cada trimestre será mais fraco do que o anterior. Há outros dados que precisam ser vistos por diversos lados. A dívida pública subiu, mas o déficit primário caiu durante o governo Lula. A guerra do Irã piorou o cenário econômico. Contudo, por causa do conflito, o saldo comercial do petróleo será de R$ 45 bilhões, uma das razões para o real ser a moeda que mais se valorizou no mundo. O crescimento das despesas foi forte neste início de 2026, porém não apenas no governo federal. Quem traça esse quadro cheio de nuances é Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual. Ele lembra que o confronto contra o Irã mudou todas as projeções para o ano, aqui e no mundo. — No início do ano, o mercado estava esperando que a inflação fosse para 3,7% e que o Banco Central cortasse os juros para 10,5% ou 11%. Com a guerra, a inflação ficou mais alta e isso mudou a política monetária. Não apenas no Brasil. Vai ter mais inflação na Europa e nos Estados Unidos. O mercado estimava que o Fed fosse cortar os juros pelo menos duas vezes e agora acha que será necessário elevá-los no segundo semestre. Desde 2017, o Tesouro americano não pagava a taxa de 5% para rolar seus títulos, como ocorreu na semana passada. No segundo semestre de 2025, houve queda na produção industrial. No fechamento daquele período, o crescimento do setor foi zero. Natural com os juros em 15%. O desemprego não aumentou porque houve redução da força de trabalho. Os economistas previram que em 2026 a economia entraria enfraquecida, mas com inflação em queda e juros sendo reduzidos, o que levaria o Produto Interno Bruto a aquecer durante o ano. Mudou tudo. Todos os setores cresceram no início de 2026 e o desemprego registrado entre fevereiro e abril, divulgado na semana passada, ficou mais alto apenas por fatores sazonais. Tirando esse efeito, fica estável. O governo Lula ampliou as despesas e, por isso, tem sido muito criticado. Mas nos estados governados pela oposição também houve aumento de gastos. — O crescimento das despesas de janeiro a abril em comparação com o mesmo período do ano passado foi de 14,2%. Essa expansão fiscal vai diminuir, e o ano deve terminar com uma alta dos gastos de 4,5% a 5%. Não tem bonzinho e mauzinho nessa história. Os estados também estão gastando mais. Como vai ter eleição no segundo semestre, os governos estão aumentando principalmente as despesas discricionárias. Uma das razões desse crescimento no governo federal é o pagamento de precatórios. Para se ter uma ideia, em março, o governo desembolsou R$ 72 bilhões nessas dívidas judiciais, lembra Mansueto. —A grande explicação para a reaceleração da economia no primeiro trimestre é a expansão fiscal mais forte de todos os níveis de governo. Quando o mandato inteiro é analisado, o quadro das contas públicas apresenta melhoras, embora continua sendo preocupante. — No primeiro ano do governo Lula, o déficit primário foi 2,4% do PIB e, este ano, incluindo tudo, sem qualquer desconto, será de 0,4%. Houve uma melhora. Foi pequena? Não. Foi substancial. O governo fez um ajuste pelo lado da receita, mas com medidas boas e estruturais, como mexer em alguns regimes tributários, taxar os fundos exclusivos. Só que, infelizmente, o governo vai perder toda essa melhora no primário. A conta de juros do setor público em 2023 foi de 6,4% do PIB, este ano será de 8,4%. Em resumo, o país remou, remou e ficou no mesmo lugar. O déficit nominal, que junta o resultado primário com a conta de juros, era 8,8% em 2023 e agora serão os mesmos 8,8%. — O Brasil vai terminar o governo com o mesmo desequilíbrio fiscal que existia em 2023 e a dívida crescendo entre 9 e 10 pontos do PIB. Esses números encomendam uma tarefa inadiável ao país. — Qual é o desafio do próximo governo? É segurar o crescimento do gasto e o Congresso terá que entender isso. Se o país conseguir, a inflação cairá em 2027 e os juros ficarão bem menores. Mansueto disse que quando conversa com os fundos de investimentos internacionais e pergunta se estão assustados com a eleição aqui, a resposta é não. O economista concluiu que o mundo está nos olhando com mais otimismo que nós, os locais. (Com Ana Carolina Diniz)
A economia tem diversos ângulos
“O próximo governo, seja qual for, terá o desafio de segurar o crescimento do gasto. E o Congresso terá que entender isso’, diz Mansueto Almeida, do BTG












