Roberto Saloutti afirmou que revisão dos gastos públicos será necessária no próximo mandato, a fim de permitir redução na Selic Roberto Saloutti, CEO do BTG Pactual, e Samuel Pessôa, economista da instituição — Foto: Paulo Renato Nepomuceno/ O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/05/2026 - 13:57 CEO do BTG Pactual Critica Selic de 14,5% e Defende Reforma Fiscal O CEO do BTG Pactual, Roberto Saloutti, criticou a taxa de juros Selic de 14,50%, considerando-a "irreal e desnecessária", e apontou que isso eleva o custo de capital na indústria. Saloutti defende que a redução dos juros passa por uma revisão dos gastos públicos no próximo mandato presidencial. Ele enfatiza a necessidade de um consenso político para abordar o problema fiscal, enquanto Samuel Pessoa, economista do BTG, alerta para as limitações impostas pelo crescimento indexado dos gastos públicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O CEO do BTG Pactual, Roberto Saloutti, afirmou que o atual nível da taxa básica de juros, hoje em 14,50%, é "irreal e desnecessário", e que esse é uma das principais causas para o "elevado custo de capital" para a indústria no país: — Eu adoraria que o juro nominal fosse 7, 8%. Acham que banqueiro gosta de juros alto, mas não é. Você tem que ser muito mais conservador ao ofertar crédito. E o grande desafio como país é conciliarmos agendas de demandas sociais com a Taxa Selic, que é irreal e desnecessária — afirmou Saloutti em evento de comemoração ao Dia da Indústria, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no centro da capital. O CEO do banco de investimentos afirmou ainda que a taxa básica está no atual patamar por conta da "expansão dos gastos públicos": — Quando você tem gastos do governo crescendo 5, 6, 7% ao ano, precisa aumentar os juros para diminuir consumo e importações. E como você toma medidas para fiscais para o consumo subir, precisa subir os juros — associou ele à equação do PIB. Saloutti disse que, independente de figuras políticas, a revisão dos gastos será necessária no próximo mandato presidencial: — é o que queremos para o Brasil, independente de quem seja o presidente. Precisamos de consenso político para endereçar esse gargalo, que é o custo da Taxa Selic. Não adianta voluntarismo. Já vivemos isso — afirmou. Samuel Pessoa, economista do BTG Pactual e também presente ao evento, afirmou que a indexação do crescimento dos gastos públicos impõe restrições a queda do nível de juros: — Se metade do orçamento está vinculado a crescer 4, 5% ao ano, o país tem desequilibro fiscal. Se não tiver clareza na direção do país, vai para juros, vai para expectativa de inflação. É ser muito "anti-povo" que o gasto primário suba no mesmo nível de crescimento da economia? — disse.