Os brasileiros estão lendo mais literatura. Afirmo isso a partir da comprovação a olho nu, nos eventos literários, sempre cheios de gente.

Falo de feiras pequenas, novas, desconhecidas, gratuitas. Em praças abertas, em auditórios, teatros, filas de pessoas que saem de um município para outro com livros nas mãos, querendo ver as escritoras e escritores, pedir autógrafos, entregar presentes.

A vida do autor brasileiro hoje é uma jornada cigana, de cidade em cidade, vencendo as distâncias para ir onde o leitor está.

É mais justo dizer que vamos onde as leitoras estão. A maioria do público é sempre de mulheres, de várias idades. Os rapazes que as acompanham são minoria, mas prevejo um equilíbrio nos próximos anos.

O que importa é que não sobra quase nenhuma cadeira vazia nos auditórios por onde ando. Não sei se já tivemos algo assim na história da literatura brasileira. Talvez com fenômenos isolados, como Paulo Coelho e Jorge Amado. Hoje o movimento é coletivo. Somos muitos.