O Comando Militar Central do Irã ameaçou nesta segunda-feira (1°) retaliar Israel se o país governado por Benjamin Netanyahu continuar com os ataques contra Beirute e alertou moradores do norte do território isrelense a abandonarem a região. Além disso, a TV estatal iraniana afirmou que o cessar-fogo firmado entre Irã e Estados Unidos no início de abril tem grandes chances de chegar ao fim caso persistam os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano. Mais cedo, a agência estatal iraniana Tasnim informou que Teerã está suspendendo as negociações indiretas com Washington após Israel ordenar o aprofundamento de sua ofensiva no Líbano, complicando os esforços diplomáticos para encerrar três meses de guerra. Segundo a Tasnim, a equipe negociadora iraniana interrompeu a troca de mensagens com os Estados Unidos por meio de mediadores devido aos ataques no Líbano, onde a guerra entre EUA, Israel e Irã reacendeu o conflito entre Israel e Hezbollah. Não houve confirmação imediata dessas informações por autoridades iranianas nem comentários por parte dos governos dos EUA ou de Israel. A medida relatada pela Tasnim representa mais um obstáculo às expectativas de uma rápida solução para a crise, depois de o Irã afirmar ter atacado uma base aérea americana em resposta aos bombardeios dos EUA contra alvos militares iranianos no fim de semana, o que aumentou a pressão sobre um cessar-fogo já considerado frágil. Os preços do petróleo subiram mais de US$ 6 por barril após a divulgação da reportagem da Tasnim. Netanyahu ordenou nesta segunda-feira ataques contra os subúrbios do sul de Beirute controlados pelo Hezbollah, provocando uma nova onda de deslocamentos em um conflito que já obrigou mais de 1 milhão de pessoas a deixar suas casas no Líbano. O gabinete do premiê israelense acusou o Hezbollah de repetidas violações do cessar-fogo firmado no fim de abril. Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou em uma rede social que acredita que Teerã deseja chegar a um acordo. As perspectivas de avanço, porém, foram enfraquecidas por declarações de autoridades iranianas criticando as posições “constantemente mutáveis” de Washington nas negociações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também apontou a situação no Líbano, onde vigora outro cessar-fogo, como um obstáculo ao avanço diplomático. “Uma violação em uma frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os Estados Unidos e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, escreveu Araqchi na rede X. Israel lança novos ataques contra o sul do Líbano — Foto: Reuters Tréguas sob pressão A guerra iniciada pelos EUA e por Israel em 28 de fevereiro matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. O conflito também elevou os custos da energia no mundo ao provocar o fechamento de fato do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás natural liquefeito. A Tasnim informou que o Irã e a chamada Frente de Resistência — que reúne aliados xiitas em Iêmen, Líbano e Iraque — definiram uma estratégia para bloquear completamente o Estreito de Ormuz e ativar outras frentes, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb, para “punir” Israel e seus apoiadores. Caso os houthis, aliados iranianos no Iêmen, abram uma nova frente de conflito, um dos alvos mais prováveis seria o estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima próxima à costa iemenita que controla o tráfego rumo ao Canal de Suez. Ao tratar das exigências iranianas relacionadas ao Líbano, a Tasnim afirmou que “não haverá negociações até que as posições do Irã e da resistência sobre essa questão sejam atendidas”. Apesar do cessar-fogo, Irã e Estados Unidos continuaram trocando ataques esporádicos, enquanto o Paquistão tenta mediar um acordo de paz duradouro. Os militares americanos afirmaram ter atingido no fim de semana sistemas de defesa aérea iranianos, uma estação de controle terrestre e dois drones que representavam ameaça à navegação, após o que classificaram como “ações agressivas do Irã”, incluindo o abate de um drone americano em águas internacionais. A Guarda Revolucionária do Irã informou nesta segunda-feira que atacou uma base aérea utilizada pelos EUA em resposta a uma ofensiva americana contra o sul do país. O grupo não identificou a base, mas o Kuwait ativou seus sistemas de defesa aérea e condenou ataques iranianos com mísseis e drones, afirmando que essas ações prejudicam os esforços para reduzir as tensões na região. Segundo os militares dos EUA, forças americanas interceptaram no domingo à noite dois mísseis balísticos iranianos direcionados a tropas americanas estacionadas no Kuwait. Nenhum militar foi ferido. Fumaça sobe após um ataque israelense ao norte do rio Litani, em Zebdine, Líbano, em uma data indicada como 31 de maio de 2026, nesta captura de tela obtida de um vídeo divulgado. — Foto: Forças Armadas de Israel/Divulgação via REUTERS Plano para “desescalada gradual” no Líbano O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, conversou com o presidente libanês, Joseph Aoun, e com Netanyahu sobre as negociações entre Israel e Líbano e propôs um plano para uma “desescalada gradual”, informou uma autoridade americana no domingo. Trump enfrenta pressão para reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir os preços da gasolina nos Estados Unidos antes das eleições legislativas de novembro, diante do crescente descontentamento dos eleitores com a alta dos preços. Ao mesmo tempo, corre o risco de enfrentar resistência de setores republicanos mais duros em relação ao Irã caso faça concessões a Teerã. Trump afirma que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear a partir de seu estoque de urânio altamente enriquecido. Teerã nega ter intenção de produzir armamentos nucleares. As partes também divergem sobre outros temas, como a exigência iraniana de suspensão das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas congeladas em bancos estrangeiros. O Irã também exige o fim do bloqueio americano aos seus portos, imposto depois que Teerã bloqueou de fato o Estreito de Ormuz no início da guerra. Fumaça sobe do sul do Líbano e equipes de resgate inspecionam os danos após ataque israelense — Foto: Reprodução/Reuters
Irã ameaça retaliar se Israel atacar Beirute
TV estatal iraniana disse mais cedo que trégua com Estados Unidos pode ruir se Exército israelense não interromper ataques contra o Hezbollah no Líbano














