"Nenhum algoritmo pode tornar a guerra moralmente aceitável. Ele só pode provocar conflitos mais rapidamente e torná-los mais impessoais, diminuindo o limiar para o recurso à violência, transformando a defesa em previsão de ameaças e, assim, reduzindo as vítimas a dados."

A frase acima é uma das mais contundentes da encíclica "Humanidade Magnífica", a primeira do papa Leão 14, publicada na segunda-feira passada (25).

No texto, o pontífice aborda cautelosamente a revolução inevitável da IA (inteligência artificial), reservando admoestações duras ao aspecto militar da tecnologia. Não o fez sem razão.

Um estudo publicado em fevereiro pelo professor Kenneth Payne, do King's College de Londres, mostrou que, em 95% das oportunidades de solução de conflito entre duas potências armadas com bombas atômicas, a IA não hesitou em recorrer ao emprego de armas nucleares.

No caso, eram ataques táticos, aqueles com ogivas menos potentes desenhadas para ações limitadas a campos de batalha. Mas nenhum especialista no setor acredita que uma guerra que chegue a isso não irá evoluir para algo devastador, talvez apocalíptico.