Em 1974, em Melgaço, extremo norte de Portugal, um punhado de estacas de madeira cravadas de forma simétrica ao redor de vinhedos em um hectare de terra se transformou em assunto da população. Para alguns, a novidade se assemelhava a túmulos em um cemitério. Outros zombavam do que classificaram como “maluquice” de um funcionário público local chamado João Cerdeira.
Até aquele momento, as videiras na região de Monção e Melgaço ocupavam limites marginais dos campos destinados a outras culturas para alimentar as famílias. A Alvarinho, a uva hoje que se tornou um porto seguro de muitos enófilos que gostam de vinhos brancos com acidez, era um detalhe na paisagem. Inspirado no pioneirismo do Palácio da Brejoeira, no município vizinho de Monção, Cerdeira decidiu experimentar naquele pedaço de terra.
A história da Quinta do Soalheiro, que hoje comercializa mais de um milhão de garrafas entre Portugal e o exterior, nasceu dessa experiência. Em 1981, Cerdeira preparou o seu primeiro ensaio enológico sério em uma pipa de 500 litros. Avisado pela esposa de que a pipa não estava bem vedada, não deu muitos ouvidos à afirmação. Acabou perdendo todo o líquido por um fio de torneira esquecido aberto.















