Bilionário plurinacional, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril e veio parar na Buenos Aires de Javier Milei O bilionário Peter Thiel — Foto: Eva Marie Uzcategui/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 20:32 Bilionário Peter Thiel se muda para Buenos Aires sob gestão Milei Peter Thiel, bilionário e cofundador de gigantes como PayPal e Palantir Technologies, mudou-se para Buenos Aires em abril. A escolha da capital argentina, sob a liderança de Javier Milei, reflete seu interesse em ambientes econômicos dinâmicos. Thiel, conhecido por suas ousadas decisões de investimento, continua a surpreender com movimentos estratégicos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Tem vizinho novo no pedaço. Segundo revelou o New York Times, o bilionário plurinacional Peter Thiel, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril último e veio parar, quem diria, na Buenos Aires de Javier Milei. Instalado com o marido e dois filhos numa mansão de 1.600 metros quadrados e US$ 12 milhões no classudo Barrio Parque, Thiel tem demonstrado gosto pela aculturação. Já disputou um torneio local de xadrez, assistiu a um clássico entre Boca Juniors e River Plate, deu uma esticada a Bariloche e até virou meme comendo uma parrilla. Imigrado ilustre, teve recepção calorosa do governante argentino. “Foi um anarcocapitalista que conhece outro anarcocapitalista”, resumiu Milei ao relatar o encontro na Casa Rosada. “Todos os bilionários do mundo que queiram fugir de países cada vez mais regulados, com impostos mais altos e governos que perseguem seus cidadãos, são bem-vindos na República Argentina, a nova terra da liberdade”, justificou o chefe de gabinete do presidente perante o Congresso. Não que Thiel tivesse fugido dos Estados Unidos, onde fica sua residência principal, nem de Donald Trump, com quem mantém relação simbiótica e a quem impôs o nome do pupilo J.D. Vance na Vice-Presidência. Gostaria, sim, de escapar de uma iniciativa do estado da Califórnia que visa a aplicar um imposto de 5% sobre os ativos dos bilionários daquele estado. Nascido na Alemanha, criado nos Estados Unidos e detentor, também, de cidadanias de Nova Zelândia e Malta, o magnata da tecnologia tem 99% de sua fortuna de US$ 28 bilhões ancorada em ativos e empresas sediadas nos Estados Unidos. Houve outros motivos. Ainda segundo a apuração do New York Times, Thiel também adquiriu um terreno perto de Punta del Este, no Uruguai, para ali construir um bunker em caso de apocalipse nuclear. Como é sabido, o advento de um apocalipse — seja na forma de uma Terceira Guerra Mundial, seja gerado por uma IA descontrolada — é uma das obsessões do personagem, que já emitiu visões sombrias sobre a chegada de um Anticristo. Até aí, pode-se dizer que tudo isso são trivialidades a respeito de um personagem excêntrico, amedrontado pelo mundo que criou. Pois é justamente o tentáculo global criado por Thiel que importa aqui. A Palantir Technologies talvez seja a primeira empresa privada da História a somar funções que governantes de todos os quadrantes costumam preferir manter em separado. Para começar, ela espiona legalmente a pantagruélica máquina estatal americana. Cada declaração de Imposto de Renda, ficha de imigrante, placa de automóvel captada por câmera, registro médico suspeito de fraude, lista de suspeitos é coletada e fornecida ao governo por plataformas da Palantir. Coube a Dean Blundell, combativo radialista conservador canadense, simplificar a capacidade da empresa: enquanto a antiga Alemanha Oriental precisou de 91 mil agentes da Stasi, a agência de informações comunista, e mais 189 mil informantes para vigiar uma população de 17 milhões de pessoas, a Palantir faz o mesmo usando apenas um servidor e uma senha para bisbilhotar 330 milhões de americanos. Há também o uso militar sem freios da cria de Thiel. Muito além do contrato de US$ 10 bilhões com o Pentágono e da elaboração do desumano sistema de deportação de imigrantes usado pela ICE, também as Forças de Defesa de Israel se servem da Palantir para atingir alvos de precisão na terra já arrasada de Gaza. Para completar, temos a visão ideológica da empresa, delineada em 2009 pelo próprio cofundador em ensaio para o Instituto Cato: liberdade e democracia deixaram de ser compatíveis nos tempos atuais. A Constituição dos Estados Unidos, diz ele, impede toda pessoa com alguma ambição de reconstruir a República ultrapassada. A Palantir fundada por Thiel (presidente do Conselho e maior acionista), Alex Karp (CEO) e outros três é mais que uma empresa de tecnologia — é um sistema nervoso implantado no governo dos Estados Unidos com ramificações globais. Dias atrás, a companhia divulgou um “manifesto de 22 pontos” intimando o governo americano a reintroduzir o serviço militar obrigatório. O texto também convoca o mundo a acabar com a “castração militar” da Alemanha e do Japão no Pós-Guerra e prenuncia um futuro dominado por armamentos autônomos. Sobretudo, faz um chamamento para o Ocidente voltar a ter lugar dominante na ordem da geopolítica mundial. “Algumas culturas produziram avanços essenciais, outras permaneceram disfuncionais e regressivas”, diz o manifesto. Ou seja, são perfeitamente dispensáveis. Melhor não perguntar ao novo vizinho em qual categoria ele coloca o Brasil.
Peter Thiel, o novo vizinho
Bilionário plurinacional, cofundador de PayPal, Palantir Technologies e Founders Fund, trocou de ares em abril e veio parar na Buenos Aires de Javier Milei












