O torneio de sábado no clube de xadrez de Buenos Aires reuniu sua escalação habitual de jogadores, incluindo um contador, um universitário e crianças em idade escolar. Mas, desta vez, curvado sobre as pequenas mesas de madeira do clube, estava um novo participante: Peter Thiel, bilionário de direita do setor de tecnologia e notório apoiador de Donald Trump.

Thiel —que, segundo um dos participantes, "não jogou mal" e ficou em terceiro lugar— havia recentemente deixado suas casas em Los Angeles e Miami para se estabelecer a milhares de quilômetros de distância, na capital da Argentina.

Nos últimos dois meses, Thiel se reuniu com o presidente argentino, Javier Milei, e seus ministros; comprou uma mansão em um dos bairros mais exclusivos de Buenos Aires; e ofereceu um jantar a economistas locais onde discutiu o anticristo, um de seus temas favoritos, segundo autoridades argentinas e pessoas familiarizadas com as atividades do empresário.

Thiel tem um histórico de ter países de reserva enquanto se protege dos Estados Unidos. Agora, ele considera fazer da Argentina outro plano B, segundo duas pessoas familiarizadas com suas ideias. Nascido na Alemanha e criado nos EUA, ele obteve cidadania na Nova Zelândia em 2011 e solicitou passaporte em Malta em 2022.