Deflagrada em agosto do ano passado, uma operação do Ministério Público de São Paulo desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado por meio de redes de combustíveis, setor considerado propício a fraudes tributárias segundo investigadores ouvidos pela reportagem.
Desdobramentos dessa operação ampliaram o conhecimento dos promotores sobre a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em outro setor da economia formal: bancos digitais e plataformas de pagamento, as chamadas fintechs — empresas de tecnologia financeira. Essa frente já havia sido identificada meses antes, em outra investigação.
O avanço do crime organizado sobre o sistema financeiro fez com que investigações antes centradas nas comunicações de líderes de dentro de presídios passassem a depender também da colaboração da Receita e da Polícia Federal.Mecanismos de controle contra a lavagem de dinheiro por meio de instituições financeiras estão entre as principais discussões em torno da classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC como grupos terroristas, anunciada pelos Estados Unidos na quinta-feira (28).
O uso de fintechs pelo PCC foi revelado por Antônio Vinicius Gritzbach em delação premiada ao Ministério Público. Ele era investigado como operador de um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico com investimentos em criptomoedas e no mercado imobiliário.












