À pergunta do título deste artigo podemos responder "sim" e "não". Sim, porque cerca de 35% dos brasileiros fumavam na década de 1980; hoje o índice é de 11,6%. Conseguimos fazer com que a população reconhecesse os males do cigarro, mudando a aceitação social do tabaco. Antes normalizado, o ato de fumar passou a não ser aceito, especialmente em ambientes fechados.

O segredo do sucesso foi a implementação de políticas públicas, que combinaram ações de conscientização, regulação estrita e legislação nacional. Não se trata apenas de uma decisão individual, mas de uma norma coletiva. Assim foi com a lei antifumo, que visava primariamente a proteção contra o fumo passivo, mas estimulou fumantes a repensarem o tabagismo.

O aumento de preços e impostos entre 2011 e 2016 também impactou a redução do número de fumantes: a prevalência caiu 24%, representando quase 70% da queda total entre 2006 e 2016. É fato: preço baixo facilita o acesso e a iniciação ao fumo, enquanto o custo mais elevado desestimula o consumo. Por isso é tão importante que o tabaco, assim como outros produtos nocivos, tenha preços bem mais altos do que os de produtos saudáveis.

Acompanhar a transição de um produto onipresente como era o cigarro para restrição de publicidade e consumo, com a revelação do que os seus fabricantes queriam esconder, foi uma experiência histórica para a saúde pública.