"Essa geração tem uma pressão estética muito maior", disse Evelen (nome fictício) durante um dos encontros de planejamento que antecederam a manifestação de domingo na Paulista Aberta, como parte das ações do Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio. "A indústria entendeu isso antes da gente." Evelen tem menos de 20 anos. Sabe do que está falando.
Os dados mais recentes do Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), de 2023, confirmam o que ela intuiu: pela primeira vez, garotas estão na liderança em um indicador de tabagismo no Brasil. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, 10,5% das meninas usam produtos fumígenos —contra 8,3% dos meninos.
Mas o alerta vermelho vai além do recorte de gênero: a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos usam cigarros eletrônicos no mundo, e que jovens têm nove vezes mais chance de se viciar do que adultos.
Em 2024, a proporção de fumantes adultos nas capitais brasileiras saltou 25% em apenas um ano, segundo o Ministério da Saúde. Décadas de políticas públicas robustas derrubaram o tabagismo no Brasil e no mundo. Você também achava que já tínhamos vencido essa?
A reabertura das portas do inferno vem sendo construída por uma indústria que planejou friamente seu retorno. A regulação que tantas vidas salvou foi concebida em outra era.














